31 março, 2023

Pétala nº 3756

“Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor. 
Felizes os felizes.” 
(Jorge Luis Borges)


"Um casal é a coisa mais impenetrável do mundo. Não conseguimos compreender um casal, nem mesmo quando fazemos parte dele."

Dois seres vivem lado a lado e a imaginação de cada um diariamente os afasta de forma cada vez mais definitiva.”


“Despedimo-nos das pessoas com uma graçola pateta, rimo-nos no patamar da escada, no elevador o gelo instala-se de imediato. 
Devia um dia estudar-se este silêncio noturno, típico das viagens de carro nos regressos a casa, após se ter exibido a felicidade à frente do público, um misto de arregimentação e de mentira autoinfligida.”

Frases de YASMINA REZA, escritora francesa (1959-), in “Felizes os felizes”, Ed. Quetzal, 2014


(Publiquei esta pétala no "Rol de Leituras", no dia 22 de Janeiro de 2019. 
Partilho-a hoje no "Pétalas de Sabedoria", juntamente com algumas palavra sábias deixadas em simpáticos comentários. Tudo continua lá, mas pode ser lido AQUI.

"Após se exibir como pavão aos estranhos o ser humano se depara com o gelo da indiferença de si mesmo pelo fato de não se amar o suficiente... pelo gelo dos que mais ama... pelo gelo dos que lhe cercam de um modo geral..."
R: Deitadas fora as máscaras volta intacta a mentira vivida a dois.

"Exibe-se uma felicidade aparente. Depois instala-se um silêncio demasiado ruidoso que gela o coração. E pensa-se no amor como se de uma fraude se tratasse e um frio imenso nos rodeasse as mãos cheias de mendicidade."
R: Actores no palco da vida...

"E às vezes o silêncio é tão ruidoso que quase nos ensurdece."
R: Há silêncios que doem e dilaceram corações.

"... depois de momentos de grande folguedo há essa reacção depois com os que nos são mais chegados. Será dos espaços confinados, ou porque com esses já não é preciso fingir."
R: ... a felicidade fingida exibida em público a desarmonia «gelada» em privado.

"... nem sempre significa que a vida a dois vai mal, mas não deixa de ser triste esse «gelo»... perdeu-se o hábito de perguntar um ao outro como foi o dia, já não achamos necessário dizer que o amamos e não temos coragem de lhe dizer que precisamos de atenção, que sentimos falta de afectos."

"... o ser humano é um turbilhão de emoções, um dia é pura felicidade, no outro se esfacela de amargura.  Quanto aos casais, torna-se o próprio inferno, pela intimidade que compartilham."
R: Silêncio doloroso, felicidade falsa, amarga caminhada a dois.





29 março, 2023

Pétala nº 3755

Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesmo de vez em quando numa redoma e poupe-se.” 
CLARICE LISPECTOR, escritora e jornalista brasileira nascida na Ucrânia (1920-77)

“Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.”
SIGMUND FREUD, médico inglês, fundador da psicanálise (1856-1939)


(Obrigada, meu amigo!)


27 março, 2023

Pétala nº 3754

“… o que é que podes fazer com o êxito quando o alcançares? Não podes comê-lo nem bebê-lo. Claro que eu entendo que quem não tem dinheiro que chegue para encher a barriga, e tal, precise de correr para o arranjar. Agora o êxito…” 

JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009


(foto net)



24 março, 2023

Pétala nº 3753

FERNANDO PESSOA e seus heterónimos


FERNANDO PESSOA
Isto
"Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falta ou finda,
É como que um terraço,
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!"

ALBERTO CAEIRO
O Guardador de Rebanhos II - excerto
"Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…"

ÁLVARO DE CAMPOS
Lisbon Revisited (1923) - excerto
"Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas!
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!"

RICARDO REIS
Odes - excerto
"Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -
Tudo tem cova sua. Se nós carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, porque não elas?
Somos contos contando contos, nada."


22 março, 2023

Pétala nº 3752

… podemos estar apaixonados sem amar ninguém. Uma fotografia, um pôr-do-sol, um perfume, um anjo ou uma música bastam.” 

SILVINA OCAMPO, escritora argentina (1903-93), in “As ConvidadasO diário de Porfiria Bernal)”, Ed. Antígona, 2022

(PORTUGAL / Cascais, 2023)



20 março, 2023

Pétala nº 3751

Primavera é vida
 que veste as árvores com poemas em forma de flor
 e anda por dentro dos dias a acordar os pássaros."

FERNANDA BOTELHO, escritora e tradutora portuguesa (1926-2007)


"Acordaremos com uma flor no peito
nada mais que
Primavera a despertar dentro de nós"


Obrigada pelo miminho, Luis. Gostei muito!



Feliz Primavera!
Que traga para todos, mais flores
 que espinhos.




17 março, 2023

Pétala nº 3750

"Por caminhos só rectos, não sei ir. 
Nos ínvios por que vou, não sei ficar. 
Suspenso do passado e do porvir, 
Venho e vou!, venho e vou!, não sei parar."

JOSÉ RÉGIO, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, poeta, dramaturgo, romancista, cronista português, in "Cântico Negro - Antologia poética, versos do poema Libelo", Ed. Quasi, 2005


“Não andes apenas pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram.”

ALEXANDER GRAHAM BELL, engenheiro, cientista, inventor britânico (1847-1922)


“Faças o que fizeres, não percas Deus de vista, não te descaminhes.”

ABDULRAZAK GURNAH, escritor nascido em Zanzibar, em 1948, a viver em Inglaterra desde a década de 1960, in “Junto ao mar”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022
Prémio Nobel da Literatura, 2021



15 março, 2023

Pétala nº 3749

"O mundo não é feito a preto e branco,  ouvimos dizer o tempo todo.  Ás vezes é, às vezes o mundo é a preto e branco, e a luz desaparece. Este tempo em que vivemos é bastante negro, e seria melhor se deixássemos de o diluir no banho químico errado para cortar os contrastes."

CLARA FERREIRA ALVES, jornalista e escritora portuguesa (1956-), in crónica "Vou para o sul no inverno", publicada na revista "E", do jornal Expresso de 11 Novembro 2022






13 março, 2023

Pétala nº 3748

“Não vivem todos os bons casamentos à custa dos seus rituais?” 

BERNHARD SCHLINK , escritor alemão (1944-), in “O outro homem e outras histórias  (A mulher da bomba de gasolina), Ed. ASA, 2004


(foto net)



10 março, 2023

Pétala nº 3747

Lisboa é uma cidade eterna, linda, que precisa de ser amada e restaurada.” 
PEDRO GIRÃO, leiloeiro português, presidente do Conselho Consultivo Internacional da leiloeira Christie’s, em entrevista a Christiana Martins, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 14 Abril 2022


"Não é uma cidade, é uma obra de arte."
PHILIPPE STARCK, designer francês reformado, residente em Cascais e apaixonado por Lisboa, citado na reportagem de "Lisboa vai ser francesa e de luxo", de Daniel Ribeiro  publicada na revista "E", do jornal Expresso de 14 Janeiro 2023








(fotos LISBOA, 2022)



08 março, 2023

Pétala nº 3746

Gosto muito de viver...


"Há um segredo para se manter jovem na cabeça?

Ah, ah. Na verdade sou pessimista, mas amo a vida. Não sei como explicar isto. Tenho ideias sombrias sobre o estado do mundo, mas há em mim uma energia que as ultrapassa. Gosto muito de viver. Quero sentir-me assim até ao dia em que espero tombar depressa, como uma árvore que caiu. Prefiro os grandes desgostos de amor a uma vida sem interesse. Sempre fui a favor dos sentimentos excessivos. Das grandes cóleras e dos grandes entusiasmos. Já me disseram que podia tornar-me muito cansativa. Para os outros, quero dizer. E é verdade. Para mim não há vidas fracassadas nem vidas conseguidas. Vivemo-las simplesmente. E vivendo, fazemos asneiras, enganamo-nos, concretizamos desejos, e é nessa desordem que a vida existe.” 

FANNY ARDANT, actriz francesa (1949-), em entrevista a Francisco Ferreira, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 7 Outubro 2022

(Mais sobre a actriz: aqui.)


(foto Pinterest)



06 março, 2023

Pétala nº 3745

Progredirá a civilização? (…) É indubitável que sim em termos de medicina, ciência, tecnologia. Mas em termos humanos, morais? Em termos de filosofia? Em termos de seriedade?” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


(foto net)



03 março, 2023

Pétala nº 3744

Decálogo da Serenidade


"- Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente o dia de hoje, sem querer resolver os problemas da minha vida de uma só vez. 
- Só por hoje, terei o máximo cuidado com os meus actos; serei cortês nas minhas maneiras, não criticarei ninguém e nem pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim mesmo. 
- Só por hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade não só no outro mundo mas neste também. 
- Só por hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que elas se adaptem a todos os meus desejos.
- Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma. 
- Só por hoje, farei uma boa acção e não o direi a ninguém. 
- Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não desejo fazer e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba. 
- Só por hoje, farei para mim um programa detalhado; talvez não o cumpra integralmente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E guardar-me-ei de duas calamidades: a pressa e a indecisão. 
- Só por hoje, acreditarei firmemente que, embora as circunstâncias demonstrem o contrário, a providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo. 
- Só por hoje, não terei temores. De modo particular, não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade." 

Papa JOÃO XXIII ou São João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) nasceu em Itália em 1881, pertenceu à Ordem Franciscana Secular. Foi papa de 28 de Outubro de 1958 até à sua morte, em 1963




01 março, 2023

Pétala nº 3743

“A união faz a força, a força traz a vontade, a vontade traz a esperança, a esperança traz a paz, a paz traz a sabedoria, a sabedoria traz o amor, e o AMOR liberta a consciência.”

Autor desconhecido.

(foto net)

28 fevereiro, 2023

Pétala nº 3742

“As nossas vidas não são mais do que a soma de contingências diversas, e não importa quão variadas podem ser nos seus pormenores, todas elas partilham uma casualidade essencial nos seus desígnios: isto e depois aquilo, e por causa daquilo, isto.” 

PAUL AUSTER, escritor americano (1947-), in “No país das últimas coisas” (1995), Ed. Presença, 1990


27 fevereiro, 2023

Pétala nº 3741

Terá o azar dos outros de ser também o nosso? Devemos sentir-nos sempre solidários com a espécie humana?” 

SILVINA OCAMPO, escritora argentina (1903-93), in “As ConvidadasO incesto ", Ed. Antígona, 2022


24 fevereiro, 2023

Pétala nº 3740

“Os professores são os pedreiros do mundo”


“Não há uma palavra que eu escreva que não pertença a quem me ensinou as primeiras letras, os primeiros ditongos, os primeiros verbos. Não há uma palavra que eu escreva que não pertença aos professores que me acompanharam ao longo do caminho. 
A escola é muito mais do que um edifício ou do que um lugar onde as crianças aprendem a ler e a escrever. A escola são pessoas que ajudam a construir outras pessoas. E poucas missões são tão nobres como essa. Sempre tive a sensação de que foi a escola que, devagarinho e com cuidado, pousou o mundo nas minhas mãos."


"É assustador pensar num mundo sem educação. Uma sociedade não educada transforma-se num bando de mosquitos suicidas que, sem questionar, segue apenas a luz mais brilhante. Uma sociedade sem educação é pouco mais do que um rebanho que precisa de um pastor para a guiar. Sem educação deixamos de questionar, perdemos a capacidade de interpretar, aceitamos tudo o que nos dão, despidos do sentido crítico que nos permite evoluir.” 

CARMEN GARCIA, enfermeira, escritora portuguesa (1986-), cronista semanal do jornal Público (“Tanto faz não é resposta”), excertos da crónica “Os professores são os pedreiros do mundo”, de 22 Janeiro 2023



(fotos net)

23 fevereiro, 2023

Pétala nº 3739

“«O dever! O dever!» Pelo amor de Deus! O dever é sentir o que é grande, amar o que é belo, e não aceitar todas as convenções da sociedade com as ignomínias que ela impõe.” 

GUSTAVE FLAUBERT, escritor francês (1821-80), in “Madame Bovary” (1857), Ed. Clube do Autor, 2017


22 fevereiro, 2023

Pétala nº 3738

"Viver é gostar de existir, é se destacar mesmo estando em silêncio, é fazer acontecer, viver é fazer por merecer..."

DOUGLAS MELO, conhecido no seu blogue "DOUG-BLOGcomo  Doug, é um jornalista, escritor, blogueiro, professor/PhD (Philosophiæ Doctor) brasileiro (1970-), in crónica "O Conto do Passarinho", 4 fevereiro 2023
 

21 fevereiro, 2023

Pétala nº 3737

“Há tantos dias de carnaval quando não estamos no Carnaval.” 

SILVINA OCAMPO, escritora argentina (1903-93), in “As ConvidadasVisões (1961)”, Ed. Antígona, 2022



Feliz CARNAVAL


(foto net)


20 fevereiro, 2023

Pétala nº 3736

“… os mortos não nos podem dizer que estamos enganados. Apenas os vivos podem fazê-lo – e podem estar a mentir. Por isso, confio mais nos mortos. Isto é bizarro ou sensato?” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


17 fevereiro, 2023

Pétala nº 3735


“- Olha ali a Estátua da Liberdade- Uma mulher alta e verde de roupão em pé sobre uma ilha com a mão no ar. 
- O que é que ela tem na mão? 
- É um farol, querido… A liberdade a iluminar o mundo…”


 - Já viste o que seria… ir ao estrangeiro num desses paquetes. Imagina atravessar o grande Atlântico em sete dias.
 - Mas o que é que as pessoas fazem tanto tempo num barco, papá? 
- Não sei… Devem passear no convés e jogar às cartas e ler e esse género de coisas. Depois fazem bailes.
- Bailes num barco! Deve balançar imenso…
 - Nos grandes paquetes modernos há bailes. 
- Porque é que não vamos papá? 
- Talvez um dia possamos ir, se conseguirmos juntar dinheiro. 
- Oh, papá, despacha-te a juntar dinheiro. 

- Papá, porque é que não somos ricos? 
- Há muita gente mais pobre que nós, Ellie… Não gostavas mais do papá se fosse rico, pois não?
 - Oh, gostava, pois, papá.” 

JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009




16 fevereiro, 2023

Pétala nº 3734

“… é a vaidade que faz com que o homem suporte a sua triste sorte.” 

SOMERSET MAUGHAM, (William Somerset Maugham), romancista e dramaturgo inglês (1874-1965), in “O Agente Britânico” (1928), Edições ASA, 2021


15 fevereiro, 2023

Pétala nº 3733

“Talvez seja na doença e no abandono que mais precisamos dos outros. É completamente diferente viver uma doença grave sozinho ou acompanhado, de mão dada.” 

JOSÉ GAMEIRO, psiquiatra português (1949-), in crónica “A superioridade moral”, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 28 Outubro 2022


14 fevereiro, 2023

Pétala nº 3732

“Haverá alguma palavra mais mitificada, mais maltratada, mais mal-entendida, mais flexível em termos de sentido e intenção, mais manchada, mais deslustrada pela saliva de um milhão de línguas mentirosas do que a palavra «amor»? E haverá alguma coisa mais banal do que queixumes sobre isso? No entanto, não a podemos substituir, porque também é robusta, granítica, de armadura impermeável. É à prova de água, resistente a tempestades, deflectora de relâmpagos.”

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022



Hoje, Dia dos Namorados.


(foto net)

13 fevereiro, 2023

Pétala nº 3731

“Digo a mim mesma que quero ter uma vida feliz e que as circunstâncias para essa felicidade apenas ainda não se materializaram. Mas e se não for o caso? E se eu própria me estiver a impedir de ser feliz?”
 
SALLY ROONEY, escritora irlandesa (1991-), in "Mundo Belo, onde Estás" (Beautiful World, Where Are You, 2021), Ed. Relógio D'Água, 2021


10 fevereiro, 2023

Pétala nº 3730

Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 
(primeira estrofe de um poema de Álvaro de Campos)


"Meu Bébé pequenino:
Então o meu Bébé fez-me uma careta quando eu passei?
Então o meu Bébé, que disse que me ia escrever hontem, não me escreveu?
Então o Bébé não gosta do Nininho? (Não é por causa da careta, mas por causa de não escrever)
Olha, Nininha; e agora a sério: achei que tinhas um ar alegre hoje, que mostravas boa disposição. Também pareces ter gostado de ver o Ibis, mas isso não garanto, com medo de errar.
Ainda fazes muita troça do Nininho? (A. De C.).
Não sei se irie amanhã a Belem; o mais provável, como te disse, é que vá. Em todo o caso, já sabes: depois das 6.30 não apareço, de modo que escusas de esperar pelo Ibis para alem dessa hora.
Ouvistaste?(sic)
Muitos beijos e um abraço á roda da cintura do Bébé.
Sempre e muito teu
Fernando
6/5/1920

"Meu Bébé pequenino:
Pelo papel vês de onde te estou escrevendo. Refugiei-me aqui da chuva, e, como por isso atrazei varias cousas que tinha que fazer, não poderei ir ás 6 horas a Belem acompanhar a Nininha até Lisboa.
Estou um pouco melhor (de saúde, não de juízo), mas ainda me sinto bastante mal disposto.
Amanhã (salvo doença ou outra cousa que estorve) passo na tua rua entre as 11 e as 11.30. Se o Bébézinho quizer estar á janella, vê o Nininho passar. Se não quizer, não o vê (É author destas ultima frase o meu querido amigo Alvaro de Campos).
Que pena a fabrica em Belem não ter telephone. Se tivesse eu poderia avisar-te de que não ia, nos dias em que não pudesse ir; e excusava a Ibis do Ibis de esperar pelo Ibis.
Adeus, Bébé queridinho: muitos beijinhos do mau e sempre teu
Fernando
22/5/1920"

Duas cartas de amor escolhidas de entre a meia centena reunida neste livro, com posfácio e notas de David Mourão-Ferreira, e preâmbulo de Maria da Graça Queiroz (sobrinha-neta da destinatária das cartas).
As cartas - ternurentas, comoventes, bem-humoradas, respeitosas - são de Fernando Pessoa (1888-1935) para Ophélia Queiroz (1900-91), sua única namorada conhecida.
Como foi que se conheceram? Como foi o namoro?
Ophélia desvenda tudo num emocionante testemunho:

"Como conheci o Fernando
Respondi a um anúncio do «Diário de Notícias».
Tinha 19 anos, era alegre, esperta, independente e, contra a vontade de meus Pais e família, resolvi empregar-me.
Conheci o Fernando no dia em que me apresentei ao anúncio… um senhor todo vestido de preto… com um chapéu de aba revirada e debruada, óculos e laço no pescoço. Ao andar, parecia não pisar o chão. E trazia – coisa mais natural – as calças entaladas nas polainas. Não sei porquê, aquilo deu-me uma terrível vontade de rir…
Foi esta a minha primeira imagem do Fernando.
O Fernando adorava-me, e tinha uns repentes de paixão que me assustavam, mas que ao mesmo tempo me divertiam.
Era duma delicadeza e duma ternura imensa. (...)"

Chegaram a casar? Não!
Fernando Pessoa nunca casou.
Ophélia casou com um homem do teatro, três anos após a morte de Fernando.

Um poeta solitário - apaixonado.
Estranho? Não, lindo!


09 fevereiro, 2023

Pétala nº 3729

“Tudo o que um homem pode imaginar, outros homens poderão realizar.” 

JÚLIO VERNE (Jules Gabriel Verne), escritor francês (1828-1905)


08 fevereiro, 2023

Pétala nº 3728

Não podemos despedir-nos senão do que intensamente um dia nos pertenceu. Mas o que um dia intensamente nos pertenceu continuará a pertencer-nos para sempre.” 

JOSÉ CARLOS BARROS, arquitecto e escritor português (1963-), in “As pessoas invisíveis” (Prémio LeYa, 2021), Ed. LeYa, 2022


07 fevereiro, 2023

Pétala nº 3727

“… hoje, na paisagem digital, amigos e seguidores passaram a significar coisas diferentes, coisas aguadas. Muitas pessoas conhecem outras pessoas sem de facto as conhecerem. E sentem-se felizes com essa superficialidade.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022


06 fevereiro, 2023

Pétala nº 3726

“- A cama não é uma coisa maravilhosa?
- A cama é a nossa Pátria
- Quem disse? 
- Eu.” 

ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano (1899-1961), in “Verdade ao amanhecer (True at first light, publicação póstuma 1999)”, Publicações Dom Quixote, 2001 
Prémio Nobel de Literatura, 1954


03 fevereiro, 2023

Pétala nº 3725

WILLIAM SHAKESPEARE


Soneto CXVI

"Não haja impedimentos à união 
de almas fiéis; amor não é amor
se se alterar ao ver alteração
ou curvar a qualquer pôr e dispor.
Ah, não, é um padrão sempre constante
que enfrenta as tempestades com bravura;
é estrela a qualquer barco navegante,
de ignoto poder, mas dada altura.
Do Tempo o amor não é bufão, na esfera
da foice curva em bocas, róseos rostos;
com breve hora ou semana não se altera
e até ao julgamento fica a postos.
      E se isto é erro e em mim a prova tem,
      nunca escrevi e nunca amou ninguém."


"Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests and it never shaken;
It is the star to every wand'ring bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
      If this be error and upon me proved,
      I never writ, nor no man ever loved."


"É provável que o principal pilar do cânone da literatura ocidental seja a obra de William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-upon-Avon, cidade onde terá morrido em 1616. Além da sua obra dramática e de alguns poemas dispersos, os seus Sonetos constituem um monumento de composição e beleza, um atlas sobre a representação do amor, da passagem do tempo e da finitude, da paixão erótica, do desejo ou da solidão."

VASCO GRAÇA MOURAescritor, tradutor e político português (1942-2014), in "Os Sonetos de Shakespeare", Ed. Quetzal, 2016



(fotos net)


02 fevereiro, 2023

Pétala nº 3724

No momento de maior escuridão, os homens veem as estrelas.”
 
RALPH WALDO EMERSON, escritor norte-americano (1803-1882)


01 fevereiro, 2023

Pétala nº 3723

A chuva não faz distinção. Mais cedo ou mais tarde, ela cai sobre toda a gente, e quando cai, toda a gente é igual a todas as outras pessoas – ninguém é melhor, ninguém é pior, todos iguais…” 

PAUL AUSTER, escritor americano (1947-), in “No país das últimas coisas” (1995), Ed. Presença, 1990


31 janeiro, 2023

Pétala nº 3722

“Precisamos de resolver os nossos monstros secretos, as nossas feridas clandestinas, a nossa insanidade oculta.” 

MICHEL FOUCAULT, filósofo, psicólogo, professor, escritor francês (1926-84)


30 janeiro, 2023

Pétala nº 3721

Será que o tempo já vivido se relativiza em relação ao tempo que ainda nos resta? (…) Ou será que os dias passam mais rapidamente quanto mais avançada for a idade porque já conhecemos todos os quotidianos, da mesma maneira que um caminho se faz cada vez mais depressa quanto mais frequentemente o percorremos?” 

BERNHARD SCHLINK, escritor alemão (1944-), in “O outro homem e outras histórias (A mulher da bomba de gasolina)", Ed. ASA, 2004


27 janeiro, 2023

Pétala nº 3720

"O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o."

"Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade."

"O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá."

MADRE TERESA DE CALCUTÁ, missionária católica de etnia albanesa (1910-97) 
Prémio Nobel da Paz, 1979


(De entre os pequenos «pães da aldeia» que comprei este destacou-se e eu fotografei.)


Pão, pão à séria, eu nunca fiz, nem sequer tentei fazer. Mas faço uns Pãezinhos de Chouriço gostosíssimos e facílimos de preparar. Verdade! 
Espreite a receita aqui


Nestes dias frios e chuvosos, faça os pãezinhos, sirva-os quentinhos, delicie-se, compartilhe!


(foto net)


26 janeiro, 2023

Pétala nº 3719

“A quem só quer provar a doçura, depressa ela se torna amarga.” 

ROBERT WALSER, escritor suíço (1878-1956), in “Histórias de amorSinal de fogo", Ed. Relógio d’Água, 2008


25 janeiro, 2023

Pétala nº 3718

Para conseguir escrever um romance, para aguentar o tempo longuíssimo e aborrecido que esse trabalho implica, mês após mês, ano após ano, a história tem de manter bolhas de luz na nossa cabeça. Cenas que são ilhas de emoção candente. E é pelo desejo de chegar a uma dessas cenas que, não sabemos porquê, nos deixam a tiritar, que atravessamos talvez meses de soberano e insuportável aborrecimento ao teclado.”

ROSA MONTERO, escritora espanhola (1951-) in “A ridícula ideia de não voltar a ver-te” Porto Editora, 2015


24 janeiro, 2023

Pétala nº 3717

“Se pela força da distância, você se ausenta. Pela força que há na saudade, você voltará.” 

PADRE FÁBIO DE MELO, sacerdote católico, escritor, professor universitário e apresentador brasileiro (1971-)


23 janeiro, 2023

Pétala nº 3716

“Porque é que alguém há de ser rico e famoso, quando outras pessoas vivem na miséria absoluta?”

SALLY ROONEY, escritora irlandesa (1991-), in "Mundo Belo, onde Estás" (Beautiful World, Where Are You, 2021), Ed. Relógio D'Água, 2021