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06 novembro, 2023

Pétala nº 3792


LIBERDADE
"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade, 
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004),
 in "Obra poética I", Círculo de Leitores, 1992


MEU PAÍS DESGRAÇADO (excerto)
“Meu país desgraçado!... 
E no entanto há Sol a cada canto 
e não há Mar tão lindo noutro lado. 
Nem há céu mais alegre do que o nosso, 
nem pássaros, nem águas…” 

SEBASATIÃO DA GAMA, professor e poeta português  (1924-1952)


POEMA DA MALTA DAS NAUS (excerto) 
“O meu sabor é diferente 
Provo-me e saibo-me a sal. 
Não se nasce impunemente 
nas praias de Portugal.” 

ANTÓNIO GEDEÃO (pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)poeta português ( 1906-97), 
in "Poesias Completas", Ed. Sá da Costa, 1982


(Fotos Teresa DiasPORTUGAL/Porto Santo, 2023)


26 maio, 2023

Pétala nº 3781

"Todo o tempo é de poesia.
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia."
(António Gedeão)


“Quando o poeta escreve, a sua deriva deverá ser a dos sentimentos em geral. E tem de se perceber.
É assim a poesia.
Um livro de poemas não é algo que se devore instantaneamente. O leitor recebe a poesia preparado para a receber. Não porque um poeta seja uma pessoa diferente das outras. A poesia é que é uma arte distinta, é uma arte de palavras e nada tão difícil de saborear como uma palavra nascida e escrita que pretende dizer sobre a alma, sobre a vida, do mal e do bem, em suma, sobre a Humanidade. (…) 
O que os poetas escrevem não é para nós imaginarmos o que é que eles querem dizer. O que os poetas escrevem é para nós, leitores, interpretarmos conforme os nossos desígnios e o que mais nos convém.” 

CRISTINA CARVALHO, escritora portuguesa (1949-), in “Movimento perpétuo – António Gedeão”, artigo de opinião publicado no jornal Público, 31 Março 2023


Todo o tempo é de poesia.

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia.

Todo o tempo é de poesia.

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança 
da celeste alegoria.

Todo  o tempo é de poesia.

Desde a arrumação do caos
à confusão da harmonia.


ANTÓNIO GEDEÃO (pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)poeta português ( 1906-97), in "Poesias Completas", Ed. Sá da Costa, 1982



(fotos net)

20 agosto, 2022

Pétala nº 3598

Minha aldeia (excerto) 

“Minha aldeia é todo o mundo, 
Todo o mundo me pertence. 
Aqui me encontro e confundo 
Com gente de todo o mundo 
Que a todo o mundo pertence. "

ANTÓNIO GEDEÃO, professor e poeta português (1906-97)