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28 abril, 2025

Pétala nº 3855

"Bastam-me apenas as palavras
para viver o amanhã"
(Albino Santos, versos do poema "Bastam-me as palavras")


A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS (excerto)

"O tempo é infinito... mas tão efémero. De repente, ele se esvai no interior de nós e oculta o sol, que se extingue nas sombras impenetráveis do destino. Fecham-se as janelas da alma, expulsam-se os sorrisos, até que o murmúrio da noite se sobreponha a tudo cobrindo-me com o seu lençol de silêncio. Estou só, numa árida deambulação sem caminho, procurando as palavras quase sem ardor nem gosto. Na complexidade das coisas banais, talvez uma luz imprevista venha reacender a paisagem!"


O SILÊNCIO É NEGRO

Apetece-me o silêncio!
O silêncio nocturno das cidades,
entre a penumbra e a alba
onde crepitam todas as paixões.
Nos meus versos insaciados
escondem-se lúgubres noites
entre sonhos imperfeitos e nostálgicos
amanheceres.

Eu sei que o silêncio é negro
como é negro sentir
que o olhar que queremos não nos afaga
e a boca que desejamos não nos procura.
Mas a minha boca ainda respira em versos
e sente o sabor do beijo
com que as pétalas amam o coração das rosas!

ALBINO SANTOShttps://as-polyedro.blogspot.com/, in "A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS", Seda Publicações, 2025


Obrigada, meu amigo!


(Foto net. Agradeço a quem me enviou.)

02 dezembro, 2024

Pétala nº 3837


“Passamos muito tempo ouvindo o que as pessoas dizem e raramente prestamos atenção ao que elas não dizem.”

“Nas culturas asiáticas, o silêncio denota reflexão profunda e nelas o que não é dito pode ser tão ou mais importantes do que o que é dito.”

CARLOS BUNGA, artista plástico português (1976-) in entrevista a Isabel Salema, revista Ípsilon, jornal Público, 4 Outubro 2024


"O silêncio é uma disciplina do coração: calar os pensamentos, as imagens, as maledicências, as superficialidades." 

"O silêncio é um caminho. Não basta, por exemplo, estarmos calados para estar em silêncio. Podemos estar calados e o rumor ser ensurdecedor. Há uma qualidade de silêncio que é uma conquista, que é um processo em que nós entramos."

"De facto, o mundo, este mundo que nos habituamos a identificar como estridente caixa sonora que nunca dorme, é atravessado por um fio de silêncios à espera de serem escutados."

"Como é que percebemos que duas pessoas que não conhecemos são amigas? Pela forma como conversam. Mas mais ainda porque nitidamente abraçam, com serenidade e alegria, o silêncio da outra."

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-) in “Uma beleza que nos pertence”, Ed. Quetzal, 2019


“- Devíamos ser mais amigas. Não achas?
- Claro… Mas nós não gostamos assim tanto uma da outra.
- Não sei porque é que isso nos deve impedir de sermos amigas. Quantos amigos gostam realmente uns dos outros?”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024



(fotos PIXABAY)


26 fevereiro, 2024

Pétala nº 3806

“Quero que me abraces, 
antes que a tristeza envelheça no meu peito.” 
(Graça Pires. in “Poemas escolhidos 1990-2011”)


“A tristeza é um ser concreto, mas a alegria também. Porém, mais concreta do que a alegria e a tristeza, é a dor. De concreta que é, não se pode descrever.” 
LÍDIA JORGE, escritora portuguesa (1946-), in “Misericórdia”, Ed. D. Quixote, 2022

“A dor é aquilo de que a vida é feita. Uma vida sem dor não é vida, não é nada.” 
CORMAC McCARTHY, escritor americano (1933- 2023), in “O Passageiro”, Ed. Relógio d’Água, 2022) 

“A dor que a omissão traz, a dor que o silêncio esconde.” 
“Não é a perda irremediável que me torna triste. É o vazio que me entristece. O vazio, a dor do vazio, a dor.” 
BERNHARD SCHLINK , escritor alemão (1944-), in “A Neta”, Ed. ASA, 2023 

"Às vezes, um homem que está triste deita com a conversa a tristeza pela boca fora. Às vezes, um homem que se encontra a pontos de matar, deita com o falar, o assassínio pela boca fora e já não mata.”
JOHN STEINBECK, escritor norte-americano (1902-68), in “As vinhas da ira”, Ed. Círculo de Leitores, 1981 
Prémio Nobel de Literatura, 1962



(foto Pinterest)

08 maio, 2023

Pétala nº 3769

“Poderá um eu falar de si mesmo sem que soe heroico, sem que pareça oprimido, defendendo o indefensável, enchendo-se de rancor perante o inexorável?”

“… o valor do silêncio, o perigo das palavras.”

ABDULRAZAK GURNAH, escritor nascido em Zanzibar, em 1948, a viver em Inglaterra desde a década de 1960, in “Junto ao mar”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022 
Prémio Nobel da Literatura, 2021

(CABO VERDE - Ilha da Boa Vista, 2022)

 

31 março, 2023

Pétala nº 3756

“Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor. 
Felizes os felizes.” 
(Jorge Luis Borges)


"Um casal é a coisa mais impenetrável do mundo. Não conseguimos compreender um casal, nem mesmo quando fazemos parte dele."

Dois seres vivem lado a lado e a imaginação de cada um diariamente os afasta de forma cada vez mais definitiva.”


“Despedimo-nos das pessoas com uma graçola pateta, rimo-nos no patamar da escada, no elevador o gelo instala-se de imediato. 
Devia um dia estudar-se este silêncio noturno, típico das viagens de carro nos regressos a casa, após se ter exibido a felicidade à frente do público, um misto de arregimentação e de mentira autoinfligida.”

Frases de YASMINA REZA, escritora francesa (1959-), in “Felizes os felizes”, Ed. Quetzal, 2014


(Publiquei esta pétala no "Rol de Leituras", no dia 22 de Janeiro de 2019. 
Partilho-a hoje no "Pétalas de Sabedoria", juntamente com algumas palavra sábias deixadas em simpáticos comentários. Tudo continua lá, mas pode ser lido AQUI.

"Após se exibir como pavão aos estranhos o ser humano se depara com o gelo da indiferença de si mesmo pelo fato de não se amar o suficiente... pelo gelo dos que mais ama... pelo gelo dos que lhe cercam de um modo geral..."
R: Deitadas fora as máscaras volta intacta a mentira vivida a dois.

"Exibe-se uma felicidade aparente. Depois instala-se um silêncio demasiado ruidoso que gela o coração. E pensa-se no amor como se de uma fraude se tratasse e um frio imenso nos rodeasse as mãos cheias de mendicidade."
R: Actores no palco da vida...

"E às vezes o silêncio é tão ruidoso que quase nos ensurdece."
R: Há silêncios que doem e dilaceram corações.

"... depois de momentos de grande folguedo há essa reacção depois com os que nos são mais chegados. Será dos espaços confinados, ou porque com esses já não é preciso fingir."
R: ... a felicidade fingida exibida em público a desarmonia «gelada» em privado.

"... nem sempre significa que a vida a dois vai mal, mas não deixa de ser triste esse «gelo»... perdeu-se o hábito de perguntar um ao outro como foi o dia, já não achamos necessário dizer que o amamos e não temos coragem de lhe dizer que precisamos de atenção, que sentimos falta de afectos."

"... o ser humano é um turbilhão de emoções, um dia é pura felicidade, no outro se esfacela de amargura.  Quanto aos casais, torna-se o próprio inferno, pela intimidade que compartilham."
R: Silêncio doloroso, felicidade falsa, amarga caminhada a dois.





31 março, 2022

Pétala nº 3499

“… graças a silêncios cobardes e oportunos, vivem-se relações, às vezes, de uma vida inteira.” 

MIGUEL SOUSA TAVARES, jornalista, escritor português (1952-), in “Último olhar”, Porto Editora, 2021


07 janeiro, 2022

Pétala nº 3416

“…não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio.”
 
MIGUEL SOUSA TAVARES, jornalista, escritor português (1952-), in “No teu deserto”, Oficina do Livro, 2009


21 setembro, 2021

Pétala nº 3346

“O silêncio ensina tanto... As palavras, os gestos podem agredir, o silêncio se cala! Quando há dúvida...o silêncio salva.” 
TAIS LUSO DE CARVALHO, cronista e artista plástica brasileira https://taisluso.blogspot.com/

“…há silêncios verdadeiramente eloquentes.” 

“Fundamental é saber ler os silêncios.” 
 
“Há silêncios muito cheios. Haja quem os leia.”

(Comentários, pétala nº 3152)

29 maio, 2021

Pétala nº 3286

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.” 
FHALIL GIBRAN, ensaísta, prosador, poeta, pintor libanês (1883-1931)


12 janeiro, 2021

Pétala nº 3152

“tanto me foste ensinando, nos teus sábios silêncios…” 
ANA MARGARIDA DE CARVALHO, escritora portuguesa (?), in “O gesto que fazemos para proteger a cabeça” , Ed. Leya, 2019

24 maio, 2020

Pétala nº 2921

“Muitas vezes, não há maior prazer do que uma hora de silêncio.” 
VIRGINIA WOOLF, escritora inglesa (1882-1941), in "Orlando", Ed. Cavalo de Ferro, 2019

08 dezembro, 2019

Pétala nº 2753

"Quem tem um livro tem um abrigo, e está seguro entre os sons do silêncio."
ANA BAILUNE, https://ana-bailune.blogspot.com/

05 setembro, 2019

Pétala nº 2658

“… silêncio, esse lugar onde as palavras se esgotam e a música começa."
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “O ruído do tempo”, Ed. Quetzal, 2016

12 maio, 2019

Pétala nº 2542

“… é mais fácil falarmos em silêncio se nos faltar o que dizer.” 
AFONSO REIS CABRAL, escritor português (1990), in “Pão de Açúcar”, Ed. D. Quixote, 2018

06 outubro, 2018

Pétala nº 2324

“O que eu mais adoro ouvir é o silêncio”
ROSE TREMAIN, escritora inglesa (1943-), in “Transgressão”, Porto Ed., 2011

23 abril, 2018

Pétala nº 2158

“O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo.”
GEORGE BERNARD SHAW, dramaturgo irlandês (1856-1950)

13 março, 2018

Pétala nº 2117

“Deixa-me dizer-te os meus silêncios, sei que um dia os vais conseguir ouvir.”
ANA MARGARIDA DE CARVALHO, escritora portuguesa (1969), in “Não se pode morar nos olhos de um gato”, Ed. Teorema, 2016

23 fevereiro, 2018

Pétala nº 2099

“… duas pessoas em silêncio dão sempre muito que dizer.” 
ANA MARGARIDA DE CARVALHO, escritora portuguesa (1969), in “Não se pode morar nos olhos de um gato”, Ed. Teorema, 2016

17 janeiro, 2018

Pétala nº 2062

“O silêncio é bom durante uns momentos. Quando se prolonga por muito tempo deixa de ser silêncio e passa a ser surdez.” 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, escritor angolano (1960-), in “A sociedade dos sonhadores involuntários”, Ed. Quetzal, 2017

16 janeiro, 2018

Pétala nº 2061

“Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em cobardes.” 
ABRAHAM LINCOLN, 16º Presidente dos Estados Unidos da América (1809-65)