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01 julho, 2025

Pétala nº 3863

13º Aniversário do "Pétalas de Sabedoria"
Da mania das frases floresceu um jardim de pétalas.

Esta é a última Pétala? Talvez!


ORAÇÃO PELOS AMIGOS

"Obrigado, Senhor, pelos amigos que nos deste. Os amigos que nos fazem sentir amados sem porquê. Que têm o jeito especial de nos fazer sorrir. Que sabem tudo de nós, perguntando pouco. Que conhecem o segredo das pequenas coisas que nos deixam felizes. Obrigado, Senhor, por essas e esses, sem os quais, caminhar pela vida não seria o mesmo. Que nos aguentam quando o mundo parece um sítio incerto. Que nos incitam à coragem só com a sua presença. Que nos surpreendem, de propósito, porque acham mal tanta rotina. Que nos dão a ver um outro lado das coisas, um lado fantástico, diga-se.
Obrigado pelos amigos incondicionais. Que discordam de nós permanecendo connosco. Que esperam o tempo que for preciso. Que perdoam antes das desculpas. Essas e esses são os irmãos que escolhemos. Os que colocas a nosso lado para nos devolverem a luz aérea da alegria. Os que trazem, até nós, o imprevisível do teu coração, Senhor."

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-)


CONFIDENCIAL 

Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitado.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que em mim não possas entender.

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa",
 Ed. Dom Quixote, 2000


“Quem deixa de ser amigo nunca o foi.
E quanto mais o meu coração pensa nisso, mais magoado fica.”

“… beber champanhe, mas com moderação. Só para que a cabeça lhe ande um pouco à roda, mas não demasiado. Quando anda demasiado à roda, faz transbordar o desgosto.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023


Um brinde à Vida, à Amizade, à Literatura!

Queridas amigas e queridos amigos, publico hoje frases há muito guardadas para quando este momento de celebração e despedida chegasse. Poderiam ser outras de entre as muitas, muitíssimas, que aguardam publicação, mas foram estas as escolhidas.
Como não me imagino a destruir frases que me tocaram, e guardo cuidadosamente, nem a ignorar as que for encontrando em novas leituras, não estranhem se me virem por aqui a manter viçoso, colorido e perfumado este «jardim». Desta forma, continuarei a deixar um rastro de cor neste mundo cada vez mais enevoado.
De saúde estou bem, graças a Deus. Apenas algum cansaço, desconforto, que me obriga a parar e a encher os meus dias não de frases, mas de Vida.
Não duvidem, serei para sempre grata pela vossa amizade, pelas pétalas, pelas visitas, pelos comentários, pelos beijos e abraços. Que consolo!
Obrigada por tudo. Obrigada e outra vez obrigada! 
Beijos e abraços. 🌹


(fotos: PIXABAY)

Até sempre!

16 junho, 2025

Pétala nº 3860

"(…) quando escrevo, faço-o por amor à palavra (…)”

“Escrevo, quase inteiramente, a partir das entranhas do desgosto.”

“A alma de um homem, ou a falta dela, tornar-se-á evidente pelo que ele consegue cinzelar numa folha branca.”

“(…) não há nada mais mágico e belo do que as frases a ganhar forma no papel.”

CHARLES BUKOWSKI, poeta e romancista norte-americano (1920-94), in "Sobre a escrita", Ed. Alfaguara, 2025


“Quando se desaloja uma frase prisioneira há muito tempo, ela aproveita a liberdade.”

“Os romances servem para se escrever o que se é incapaz de fazer na vida real”

“Há livros que falhamos, como certos encontros: passamos ao lado de histórias e de pessoas que poderiam ter mudado tudo. Por causa de um mal-entendido, de uma capa, de um currículo sofrível, de um a priori. Felizmente, a vida por vezes insiste.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023


"É inevitável. (...) a dado momento - tem logicamente de acontecer - um escritor terá um último leitor."

"Vivemos, morremos, somos lembrados, somos esquecidos. Não de repente, mas por etapas." 

"Para os escritores, o processo de ser esquecido  não é claro. «É melhor para um escritor morrer antes de ser esquecido, ou ser esquecido antes de morrer?»"

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Nada a temer”, Ed. Quetzal, 2020
“Manhã após manhã durante 50 anos, enfrentei a próxima página indefeso e mal preparado. Escrever para mim é um feito de Auto-preservação. Se não o fizesse, morreria. Então fi-lo. A perseverança, e não o talento, salvou-me a vida. Tive também a sorte de não considerar a felicidade importante e de não ter compaixão por mim próprio.”

PHILIP ROTH, escritor americano (1933- 2018)

(fotos PIXABAY)

05 maio, 2025

Pétala nº 3856


“Os filhos nunca deixam de ser pequenos nas almas das mães. Ocupam o espaço todo, mas continuam pequenos.”
VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

"As mães adivinham sempre, não sei por que miraculosa intuição, o mistério que no mistério das suas entranhas foi gerado, e nunca se enganam!"
FLORBELA ESPANCA, poetisa portuguesa (1894-1930), in “As máscaras do destino”, Livraria Bertrand, 1981


"... haverá alguma vez um momento em que não se espera que seja a mãe a tomar a iniciativa?"

“Achas que alguma vez sobrevivemos à nossa infância?”

“A mãe também precisa de alguma coisinha. Não se pode depender dela, não em todos os minutos de todos os dias.”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024


“ (Todas as pessoas têm direito a descanso, menos as mães. Para cada tarefa, profissão ou encargo há direito a uma folga, menos para as mães. Se alguma mãe demonstrar a mínima fadiga de ser mãe, haverá logo uma besta, ignorante de limpar baba e de parir, que se oferecerá para a pôr em causa. Não é mãe, não sabe ser mãe, não foi feita para ser mãe, dirá. Mas, se todas as pessoas têm direito a descanso, será que as mães não são pessoas? A culpa é nossa. Sim, a culpa é das mães. Deixámos que fossem os filhos a definir-nos.)”
JOSÉ LUÍS PEIXOTO, escritor português (1974-), in “Em teu ventre”, Ed. Quetzal, 2015

(Foto: PIXABAY)

07 abril, 2025

Pétala nº 3852

A aparência não é nada. É no fundo do coração que está a chaga.”
(EURÍPEDEScitado por Valérie Perrin, in "TRÊS")


“… lamentável declínio das boas maneiras nos dias de hoje.”

“Acho a falta de pontualidade de uma extrema má-criação; é uma grande falta de respeito, pois sugere, sem margem para dúvidas, que a pessoa se considera, a si própria e ao seu tempo, mais valiosa do que os outros.”

“As minhas unhas estão sempre limpas – unhas limpas, tal como sapatos limpos, são fundamentais para o autorrespeito. Embora não seja elegante nem virada para a moda, estou sempre asseada; assim, pelo menos, posso estar de cabeça erguida quando assumo o meu lugar no mundo, por mais insignificante que seja.”

GAIL HONEYMAN, escritora inglesa (1972-) in “A Educação de Eleanor”, Porto Editora, 2017


“Qual é a diferença entre felicidade e alegria? Esperança e desejo? Tristeza e Melancolia? Amor e hábito? Medo e desespero?”

Se eu fosse eu
Nem as páginas por escrever
Nem encontrar as palavras para o dizer
Me fariam medo…
Mas largo-me a mão
Afasto-me de mim
Dou comigo de manhã
No mau caminho
Quando nos perdemos
Como ultrapassar
Esse esforço inumano
Que nos conduz a nós
Se eu fosse eu
Nem a mulher que sou
Nem sequer o homem que dorme na minha cama
Me fariam medo
Se eu fosse eu
Nenhum peso que tenho no coração
O que faço de pior e de melhor
Me fariam medo…

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

(Fotos: PIXABAY)


24 março, 2025

Pétala nº 3850


“ … Estou de muito mau humor. Preciso de desabafar.
- Calha bem. Eu também estou de mau humor. Mas tu, porquê?
- Porque estou zangado comigo. Porque é que aproveito todas as ocasiões para me sentir culpado?
- Isso não é grave.
- Sentirmo-nos culpados ou não. Penso que tudo se resume a isto. A vida é uma luta de todos contra todos. É sabido. (…) Ganhará aquele que conseguir tornar o outro culpado. Perderá quem confessar o seu erro.(...)
- Quem se desculpa declara-se culpado. E se tu te declaras culpado encorajas o outro a injuriar-te, a denunciar-te publicamente, até à tua morte. São essas as consequências fatais da primeira desculpa.
-É verdade. Não é preciso desculparmo-nos. E, todavia, eu preferiria um mundo onde todas as pessoas pedissem desculpa, sem exceção, inutilmente, exageradamente, por nada, onde se atravancassem de desculpas…”

MILAN KUNDERA, escritor checo (1929-), in “A festa da insignificância”, Ed. D. Quixote, 2014


Os amigos estão sempre a dizer-nos para termos cuidado. Para estarmos de sobreaviso. Mas, possivelmente, quanto mais cuidado temos, mais expostos ficamos. Talvez tenhamos de nos entregar nas mãos do nosso anjo da guarda. Sou até capaz de começar a rezar… Não sei ao certo a quem. Mas talvez me tire algum peso dos ombros, o que te parece?
Acho que deves seguir o teu coração.”

CORMAC McCARTHY, escritor americano (1933- 2023), in “O Passageiro”, Ed. Relógio d’Água, 2022)


"- Como vai isso?
- Vai indo. Gostaria que fosse amanhã… O presente atrapalha-me… Não sei o que fazer dele."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

(Fotos: BRASIL/Natal - Touros, 2024)


"A Primavera é um rio a correr para um lugar longínquo onde já é Outono."

Obrigada Luís, por mais um mimo primaveril.
 Que a Primavera lhe traga dias de felicidade e criatividade. 


10 março, 2025

Pétala nº 3848

“Uma mulher a chorar no metro é sempre uma desconhecida. Para os outros e, muito provavelmente, para si própria.”

“… temos sorte até a sorte se esgotar.
Nessa altura, teremos de criar a nossa própria sorte.”

“Como é que nós sabemos, como é que alguém sabe quando passa da fase de ser possível ultrapassar os problemas para a fase em que já é demasiado tarde? Existirá… um interlúdio durante o qual se está tão aborrecido ou desapontado ou tomado pelo arrependimento que é, de facto, demasiado tarde? Ou, mais concretamente, será que chegamos ao é demasiado tarde uma e outra vez, apenas para voltarmos a ultrapassar os problemas antes que chegue o é demasiado tarde outra vez?”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024


“A força conquista a fraqueza… é um simples facto da vida, não é?”

“Na vida, temos de empreender acções decididas… Fazer o que queremos fazer… agarrar aquilo que queremos. Quando queremos acabar com alguma coisa, ACABAR. E viver com as consequências.”

GAIL HONEYMAN, escritora inglesa (1972-) in “A Educação de Eleanor”, Porto Editora, 2017


“«Quando a vida nos tira uma coisa, dá-nos outra.» Mas às vezes a vida engana-se. Faz batota ao dar as cartas. Às vezes a vida mente-nos, abusa da nossa credulidade.”

“Tornamo-nos aquilo que fazem de nós e que aceitamos.”

Não se prende a espuma
Na palma da mão
Sabe-se que a vida se consome
E não resta nada
De uma vela que ilumina
Podes ainda decidir o teu caminho
Do teu caminho
Crês que tudo se resume
Ao sal entre os nossos dedos
Quando mais leve que uma pena
Podes guiar os teus passos
Sem tristeza nem amargura
Avançar, avança, pois tudo desaparece.

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

(fotos: PIXABAY)


27 janeiro, 2025

Pétala nº 3842

"O tempo separa aqueles que se amam..."
(Vzlérie Perrin, in "TRÊS")


"Nunca mais disseram «amo-te» um ao outro. O amor tornara-se uma deficiência oculta. 

Eram agora pessoas tão diferentes que poderiam até mudar de nome e apelido, ir ao registo civil e preencher o seguinte requerimento: «Já não somos as pessoas que éramos. Solicitamos a alteração dos nossos dados pessoais». 
O passar dos anos tudo muda, excepto a saudade.

Como é o mundo quando a vida se torna saudade? Parece que é feito de papel, desfaz-se entre os dedos, desmorona-se.
Cada movimento, observa-se a si próprio, cada pensamento contempla-se a si próprio, cada sentimento tem início, mas não acaba, tornando-se o próprio objecto da saudade ilusório e irreal.
Só a saudade é verdadeira, viciante, impositiva – estar onde não se está, ter o que não se tem, tocar quem não existe. Este estado tem uma natureza variável e contraditória em si mesma. É a quintessência da vida e é contra a vida. Estranha-se na pele, chega aos músculos e aos ossos, que, doravante, começam a existir dolorosamente."

OLGA TOKARCZUK, psicóloga e escritora polaca (1962-), in “Casa de Dia, Casa de Noite ”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022
Prémio Nobel de Literatura, 2018


“- Pensava que as pessoas casadas conversavam sobre tudo.
- De certeza que algumas falam.”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024


Fotos de Teresa Dias: 
1 - PORTUGAL/Mafra, 2023
2 - PORTUGAL/Beja, 2022


09 dezembro, 2024

Pétala nº 3838


"Metade da Vida Passa-se na Escuridão
É assim mesmo, quer se saiba disso ou não. Quer se aceite isso ou não. Quer se concorde com isso ou não. Mas a maior parte das pessoas só se lembra da noite por causa das insónias. Quando se dorme como uma pedra, não se sabe sequer que é noite.

A noite não é negra, como se costuma dizer. Tem luzes suaves que fluem do céu para as montanhas e para os vales. A Terra também brilha. É um brilho frio, acinzentado, levemente fosforescente como o brilho dos ossos nus e da podridão. Durante o dia, não se vê esse brilho, nem durante as noites claras de luar, nem nas cidades e aldeias iluminadas. A luz da Terra só se vê nas verdadeiras trevas.

Além disso, existem ainda estrelas e a Lua. Assim sendo, a noite é clara.”

OLGA TOKARCZUK, psicóloga e escritora polaca (1962-), in “Casa de Dia, Casa de Noite ”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022 - Prémio Nobel de Literatura, 2018


“É preciso que o negro se acentue para
que a primeira estrela apareça.”

"A minha avó ensinou-me muito cedo como apanhar estrelas:
basta pôr de noite uma vasilha com água no meio do pátio,
para as vermos a nossos pés."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


“Há noites em que morremos de tristeza,
à espera que uma estrela nos rebente no olhar.”

GRAÇA PIRES, poetisa portuguesa (1946-), in "Poemas Escolhidos 1990-2011"
(fotos PIXABAY)


18 novembro, 2024

Pétala nº 3835


“Há as lembranças, o presente e as nossas vidas anteriores que mudam de cheiro. Quando se muda de vida, muda-se de cheiro.

A infância tem o do alcatrão, de uma câmara de ar e do algodão-doce, do desinfetante das salas de aula, das chaminés das lareiras que exalam o hálito das casas nos dias de frio, do cloro das piscinas municipais, da transpiração agarrada à roupa nas filas dois a dois à saída do ginásio, das pastilhas elásticas na boca, da cola que faz fio nos dedos, das gomas entaladas entre os dentes, de uma árvore de Natal plantada no coração.


A adolescência tem o odor da primeira passa, de um desodorizante almiscarado, de uma fatia de pão com manteiga numa caneca de chocolate quente, do uísque-cola e das caves transformadas em salas de baile, do corpo que deseja, da água de colónia, do gel para o cabelo, do champô de ovo, do batom, de restos de detergente numas calças de ganga.


As vidas posteriores, aquela da écharpe esquecida pelo primeiro desgosto amoroso.


E depois há o verão. O verão pertence a todas as lembranças. É intemporal. É o cheiro que é mais duradouro. Que se agarra às roupas. Que se busca toda a a vida. Os frutos mais doces, a brisa marítima, as bolas de Berlim, o café escuro, o protector solar, o pó de arroz das avós. O verão pertence a todas as idades. Não há infância nem adolescência. O verão é um anjo."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023



(fotos PIXABAY)

14 outubro, 2024

Pétala nº 3830

Em noite de lua cheia...
"Nunca me disseste amo-te, mas eu amo-te por nós."
(Valérie Perrin, in "os esquecidos de domingo")


"Há duas coisas que aprendi no contacto com os mais velhos.
Aproveita a vida, ela passa depressa. 
Nunca contes um segredo. Nem ao teu irmão, nem ao teu filho, nem ao teu pai, nem à tua melhor amiga, nem a um desconhecido. Nunca.’’
VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "os esquecidos de domingo", Ed. Presença, 2023

"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY, piloto e escritor francês (1900-44)

Nunca sabemos como vai andar a roda do destino.” 
JOSÉ CARLOS BARROS, arquitecto e escritor português (1963-), in “As pessoas invisíveis” (Prémio LeYa, 2021), Ed. LeYa, 2022

Nunca devemos subestimar o egoísmo.”
CLARA FERREIRA ALVES, jornalista e escritora portuguesa (1956-), in crónica "Confessional", publicada na revista "E", do jornal Expresso de 20 janeiro 2023

“Felizmente, nunca nos habituamos a viver derrotados.” 
MARTA ORRIOLS, escritora espanhola (1975), in “Doce introdução ao caos”, Ed. D. Quixote, 2022

"Não saberei nunca /dizer adeus
MIA COUTO, escritor moçambicano (1955-), versos do "Poema da despedida", in "Raiz de orvalho e outros poemas", Ed. Caminho, 2009


"Não esqueças nunca Treblinka e Hiroshima
O horror o terror a suprema ignomínia"

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004), 
versos do poema "Não te esqueças nunca".


 Fotos da amiga Chica: "Céu e palavras"


08 julho, 2024

Pétala nº 3825

"Walter Benjamin disse que um anjo nos recorda tudo o que esquecemos."
(Enrique Vila-Matas, in "Paris Nunca se Acaba")


“Não é por envelhecermos que esquecemos.”

“Uma lembrança nunca morre, apenas adormece.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


"A memória é voluntária e o esquecimento também.”

"A minha maneira de lidar com a memória é confiar-lhe unicamente aquilo que ela depois tem orgulho em recordar.”
 
“Dizem que, à medida que envelhecemos, nos lembramos melhor dos primeiros anos. Eis uma das muitas e grandes ciladas que nos aguardam: a vingança senil.” 

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Amor & Cª”, Ed. Quetzal, 2023 


“… os velhos, como tirando isso não têm mais nada para fazer, contam o passado como ninguém. Não vale a pena procurar nos livros ou nos filmes: como ninguém.”

“… quando um velho morre é uma biblioteca que arde…”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "os esquecidos de domingo", Ed. Presença, 2023


(Fotos: PORTUGAL/Cascais - São Pedro do Estoril, 2024)

17 junho, 2024

Pétala nº 3822

"Sem nenhuma razão
O dia pôs a capa da tristeza."
(Miguel Torga)


"E outro dia finda
Nesta vida pequena, é preciso não morrer de tédio…"
VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022

"Os problemas a sério começam numa sociedade quando o tédio se converte no seu traço mais genérico. O tédio leva até as pessoas tranquilas a trilharem caminhos que nunca imaginaram.”
CORMAC McCARTHY, escritor americano (1933- 2023), in “O Passageiro”, Ed. Relógio d’Água, 2022)

"O tédio é a ausência de projectos, de perspectivas. Giramos em volta de nós mesmos. Esperamos sem nada esperar, nada retendo da espera senão a dimensão suspensa de um tempo vazio."

"O tédio é uma revolta contra a imobilidade. Não encontramos nada para fazer, não procuramos nada para fazer. Estamos desesperados connosco."
FRÉDÉRIC GROS, filósofo, professor, escritor francês (1965-), in "CAMINHAR uma filosofia" (2009), Ed. Antígona, 2024


“A realidade não é apenas o que o olho vê e não somente o que o ouvido escuta e o que a mão pode tocar, mas também o que se esconde do olho e do toque dos dedos e se revela às vezes, só por um momento, para quem procura com os olhos do espírito e para quem sabe ficar atento e ouvir com os ouvidos da alma e tocar com os dedos do pensamento.”

AMOS OZ, escritor israelita (1939-2018)


"Rasguemos horizontes
penetremos bem fundo
nesta nuvem cinzenta e tenebrosa
que paira insistentemente
nos céus da nossa desilusão."

MÁRIO MARGARIDE,https://poesiaaquiesta.blogspot.com/, versos do poema 
 “Que a esperança se acenda em nós”, 2 Janeiro 2024


08 abril, 2024

Pétala nº 3812

“… gelado de chocolate e framboesa. Pura felicidade.”
(Valérie Perrin, in "os esquecidos de domingo")


“Existem vários mitos em torno do conceito de felicidade. O ter dinheiro, sucesso profissional, mais recentemente, nalguns jovens, ser famoso. Mesmo a velha frase ser rico não dá felicidade, mas ajuda muito, não é verdadeira. O contrário é bem mais real. A pobreza raramente está relacionada com a felicidade, porque a falta de bens materiais, implica frequentemente falta de saúde, que é um dos indicadores de felicidade.”

“Então, como é que eu posso ser feliz?
(…) vale a pena pensar sobre a importância de cultivarmos a relação com os outros. (…) Com os amores, com a família, com a senhora ou com o homem da caixa do supermercado, com quem nos serve o café todos os dias. Viajar, comer bem, conhecer sítios bonitos é bom, mas contribui muito pouco para a nossa felicidade."

O mais importante na vida e que gera mais felicidade e infelicidade, são as relações que temos e as formas como as vivemos.

JOSÉ GAMEIRO, psiquiatra português (1949-), in ensaio “A receita para a felicidade”, publicado na revista "E", do jornal Expresso, 5 Maio 2023

Felicidade não há.
Creio no contentamento,
Na alegria e o intento
De ser feliz. O maná
Não cai do céu, nem virá
Como a graça do divino,
O ser busca pelo tino
Um algo transcendental
Que só virá no final
Da vida, como destino.

(Comentário, Pétala nº 3710)

(fotos net)

15 janeiro, 2024

Pétala nº 3800


“Que não nos podemos livrar de nós próprios, que nos levamos sempre connosco para todo o lado, isso já eu sabia. Só não sabia que também carregamos os outros para todo o lado.” 

“Como é que nos livramos dos outros? Vivendo com determinação a nossa própria vida.” 

BERNHARD SCHLINK , escritor alemão (1944-), in “A Neta”, Ed. ASA, 2023 


“A vida não é o ideal imaginado.”

“A vida, como o planeta, gira. Nada interfere e tudo pode enlouquecer-nos.”

PATRÍCIA REIS, jornalista e escritora portuguesa (1970), in “Chave de entendimento para uma sinfonia perdida”, Ed. Expresso, 2018


“Se a vida é apenas uma passagem, sobre essa passagem, ao menos semeemos flores."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


(fotos net)

13 novembro, 2023

Pétala nº 3793


“É terrível rechaçarmos o que em tempos, brevemente, amámos, ou julgámos amar, ou quisemos pensar que amávamos. Mas a que estamos acorrentados, ainda assim, para a vida toda.”
DAMON GALGUT, escritor sul-africano (1963-), in “A Promessa” (Booker Prize, 2021), Ed. Relógio d'Água, 2021

"... o encantamento deve ser conservado em seu próprio vaso, de contrário transborda e desfaz-se em nada."
LÍDIA JORGE, escritora portuguesa (1946-), in “Misericórdia”, Ed. D. Quixote, 2022"

“… uma parte do amor reside em ser-se surpreendido pela pessoa que se ama, embora se possa conhecê-la profundamente e bem. É um sinal de que o amor está vivo. A inércia mata o amor – e não só o amor sexual; todos os tipos de amor.”
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022

"Casamento, sucesso, amor, são só palavras…”
JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009


“Não sei se estás em mim
ou se estou em ti, ou se me pertences.
Penso que estamos ambos no interior
de outro ser que criámos e se chama «nós».

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


(fotos Pinterest)