27 maio, 2024

Pétala nº 3819

"Para onde nos atrai o azul?"
(João Guimarães Rosa)










DESAFIO, em tons de Azul
Hoje a pétala é sua! 
Busque inspiração numa imagem e solte a imaginação.
Antecipadamente, eu agradeço. 💙

Fotos:
1ª, 2ª, 3ª Porto Santo, 2023
4ª, 5ª Cuba/Varadero, 2023
Maldivas, 2022
7ª, 8ª Cascais,2022
Madeira, 2010

Boa semana!


20 maio, 2024

Pétala nº 3818

"ver o Diferente, ver o Semelhante"


“Duas pedras que nos parecem iguais são bem distintas para um geólogo, dois gémeos que nos parecem iguais, são bem distintos para a mãe que os ama (...)

O pensamento mais completo é aquele que diante dos factos, dos acontecimentos e das várias coisas que existem no mundo, conseguem perceber as inúmeras diferenças e as inúmeras semelhanças.(...)"


"No diário de um dos grandes filósofos do século XX, Cioran, ele escreve: “Que seria eu, que faria eu sem as nuvens?
Uma bela pergunta.
Cioran depois acrescenta: Passo a maior parte dos dias vendo as nuvens passar.”
As nuvens que, para algumas pessoas, são todas iguais e por isso aborrecem; e as nuvens que, para algumas pessoas, são todas diferentes e, por isso, entusiasmam."

"Estar vivo, em parte, não é fácil, porque muitas vezes se instala a ideia de que tudo é apenas uma repetição: comer de novo, e de novo lavar o prato; de novo o sol – e tudo o que se repete debaixo dele – e, de novo, as nuvens. 
Conseguir encontrar entusiasmo nas semelhanças e conseguir encontrar entusiasmo nas diferenças, eis o difícil.”

GONÇALO M. TAVARES, professor e escritor português (1970-), in crónica “Moscas e nuvens – ver o diferente, ver o semelhante”, revista "E", jornal Expresso, 3 Março 2023
EMIL CIORAN, filósofo, escritor romeno, radicalizado em França (1911-95)

Fotos de duas amigas:
Chica: "Céu e palavras"
Roselia:  "Amor azul"


13 maio, 2024

Pétala nº 3817

"O inalcançável é sempre azul."
(Clarice Lispector)

“O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta.”
Versos de Alberto Caeiro, heterônimo de FERNANDO PESSOA poeta português (1888-1935), 
in "Antologia poética ("O guardador de rebanhos XXIII"), R.B.A. Editores, 1994

"Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu".
Versos de FERNANDO PESSOAin "Mensagem".

(Pétala deixada em comentário pela amiga OLINDA MELO, http://xailedeseda.blogspot.com/.)

"Quando o sossego é só sossego e a visão do mar espraia a nossa
identidade
sentimo-nos cúmplices da terra na densidade azul"

ANTÓNIO RAMOS ROSA, poeta português (1924-2013), in “Poesia presente”, Ed. Assírio &Alvim, 2014


“Água, sal e vontade – a vida!
Azul – a cor do céu e da inocência”

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa" (versos do poema "Ao Mar"), Ed. Dom Quixote, 2000


“bebo o azul do céu pelos olhos”

PABLO NERUDA, poeta chileno (1904-73), in "Crepusculário" (verso do poema "O povoado"), 1923 
Prémio Nobel da Literatura, 1971


"Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul."

CLARICE LISPECTOR, escritora e jornalista brasileira nascida na Ucrânia (1920-77)


(Fotos: PORTUGAL/Cascais, 2024)

Boa semana!

05 maio, 2024

Pétala nº 3816

"Deus espera na escuridão."
(Valter Hugo Mãe))


Deus é exactamente como as mães. Liberta seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos. 
Deus é exactamente como são as mães, que criam e depois vão ficando para trás, numa distância que parece significar que não são mais precisas, e Ele, como elas, só sabe amar acima de qualquer defeito e qualquer falha, com cada vez mais saudade, mas não sabe o caminho, não sabe por onde os filhos foram, só pode suplicar que não se percam e não se percam da vontade de voltar. (…)

Deus como as mães, corre os dias inteiros à janela e escuta. Qualquer bulício Lhe acelera o coração. Se existem passos em redor de Sua casa, se alguma voz o  chama, palpita como doido de alegria na esperança de ter um filho em visita. (…) 
Exactamente como as mães, Deus cozinha seus pratos favoritos e acredita que agora ficarão para sempre ou, ao menos, regressarão todos os fins-de-semana, todos os meses, que não vão ficar separados, sem notícias tanto tempo, porque dói demasiado. (…)
Deus, como são as mães, tem a impressão que vai morrer se não voltar a ver os filhos. (…)
 
“Todos deveríamos amar como amam as mães, que julgo ser como Deus ama.”

VALTER HUGO MÃE, escritor português (1971-), in “Deus na escuridão”, Porto Editora, 2024



2ª foto: net