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03 fevereiro, 2023

Pétala nº 3725

WILLIAM SHAKESPEARE


Soneto CXVI

"Não haja impedimentos à união 
de almas fiéis; amor não é amor
se se alterar ao ver alteração
ou curvar a qualquer pôr e dispor.
Ah, não, é um padrão sempre constante
que enfrenta as tempestades com bravura;
é estrela a qualquer barco navegante,
de ignoto poder, mas dada altura.
Do Tempo o amor não é bufão, na esfera
da foice curva em bocas, róseos rostos;
com breve hora ou semana não se altera
e até ao julgamento fica a postos.
      E se isto é erro e em mim a prova tem,
      nunca escrevi e nunca amou ninguém."


"Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests and it never shaken;
It is the star to every wand'ring bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
      If this be error and upon me proved,
      I never writ, nor no man ever loved."


"É provável que o principal pilar do cânone da literatura ocidental seja a obra de William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-upon-Avon, cidade onde terá morrido em 1616. Além da sua obra dramática e de alguns poemas dispersos, os seus Sonetos constituem um monumento de composição e beleza, um atlas sobre a representação do amor, da passagem do tempo e da finitude, da paixão erótica, do desejo ou da solidão."

VASCO GRAÇA MOURAescritor, tradutor e político português (1942-2014), in "Os Sonetos de Shakespeare", Ed. Quetzal, 2016



(fotos net)


25 junho, 2022

Pétala nº 3556

blues da morte de amor (excerto)

"já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida.
mas afinal não morri, como se vê, ah, não, 
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz, 
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes, 
ah, sim, pela noite dentro, minha querida."

VASCO GRAÇA MOURA, escritor, tradutor e político português (1942-2014), in "Poemas escolhidos", Bertrand Editores, 1996


10 maio, 2021

Pétala nº 3267


«O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.» 
ALEXANDRE HERCULANO, escritor português (1810-77) 

«Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!» 
EÇA DE QUEIRÓS, escritor e diplomata português (1845-1900) 

«E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.» 
VASCO GRAÇA MOURA, escritor, tradutor e político português (1942-2014)


Porque promessas eu cumpro, Teresa Palmira Hoffbauer esta pétala (tripla) é para ti.


De Lisboa faltou mostrar o Castelo de São Jorge? Pronto, pronto, aqui está ele.

(fotos net)

01 março, 2015

Pétala nº 1010

"A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo". 

 Vasco Graça Moura, escritor, tradutor e político português (1942-2014)