Mostrar mensagens com a etiqueta Amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amor. Mostrar todas as mensagens

14 abril, 2025

Pétala nº 3853

Dedico-lhe o Meu Silêncio
(MARIO VARGAS LLOSA, 1936-2025)


 "A VALSA PERUANA É UMA INSTIUIÇÃO SOCIAL..." 

"... uma instituição social que fomenta a amizade e o desejo que favorece o amor."

"... somos um país onde a amizade é frequente e indispensável, para rir, festejar os aniversários e nem que seja para chorarmos os lutos juntos. Que é o companheirismo senão isso? Outra maneira de nos relacionarmos e estender pontes de parentesco com os outros. E a valsa peruana, quando não exalta a saudade pelo passado, favorece a amizade, o companheirismo e, é claro, o amor.

“O ser humano não era um átomo, dizia-se, não era feito para navegar pela vida sozinho, precisava de fazer parte de algo maior, de uma comunidade, de uma pátria que lhe desse sentido e o protegesse. Sem tribo o que seria o homem?

"A valsa alegra todos os momentos da vida e eu oiço-as assim: ao acordar, entre bocejos; ao meio-dia, a almoçar; à tarde e à noite, a trabalhar, é claro, porque a valsa também inspira e empurra para a ação."
“- Cecília… Há tanto tempo que não te via.
- Nem eu a ti, Toño. Já estava a pensar se nos estávamos a afastar. A deixar de ser amigos, quero dizer, e tu, vê só, nem me lembrava de que o éramos.
- Estive muito ocupado a refazer as minhas pobres finanças e a escrever artigos de manhã e à tarde sobre música crioula. Mas, quanto a amizade, tu és a primeira das minhas amigas. E sê-lo-ás sempre, não te esqueças.
- Assim o espero, Toño. Namorados e amantes vão e vêm. Mas os amigos ficam para sempre e são sempre os mesmos."

MARIO VARGAS LLOSA, escritor peruano (1936-2025), in “Dedico-lhe o meu silêncio”, Ed. Quetzal, 2024
Prémio Nobel de Literatura, 2010

(Frases encontradas nas 252 páginas do livro, aqui alinhadas a meu gosto.)


PERU -"anos 90 (...) Toño Azpicueta, é especialista em música crioula e descobre um guitarrista (…) cujo talento o faz reviver o amor pelas valsas, marineras, polcas e buainos, géneros enraizados na música popular do país. (…) É então que tem a ideia de escrever um livro para contar a história da música crioula… um elemento capaz de provocar uma revolução, quebrando preconceitos e barreira raciais para unir todo o país.”

"Se este romance é o canto do cisne de Vargas Llosa, é difícil imaginar um que fosse melhor. 
O sonho utópico da reconciliação através da música."
(The Times Literary Supplement)

(fotos 1 e 2 PIXABAY)

07 abril, 2025

Pétala nº 3852

A aparência não é nada. É no fundo do coração que está a chaga.”
(EURÍPEDEScitado por Valérie Perrin, in "TRÊS")


“… lamentável declínio das boas maneiras nos dias de hoje.”

“Acho a falta de pontualidade de uma extrema má-criação; é uma grande falta de respeito, pois sugere, sem margem para dúvidas, que a pessoa se considera, a si própria e ao seu tempo, mais valiosa do que os outros.”

“As minhas unhas estão sempre limpas – unhas limpas, tal como sapatos limpos, são fundamentais para o autorrespeito. Embora não seja elegante nem virada para a moda, estou sempre asseada; assim, pelo menos, posso estar de cabeça erguida quando assumo o meu lugar no mundo, por mais insignificante que seja.”

GAIL HONEYMAN, escritora inglesa (1972-) in “A Educação de Eleanor”, Porto Editora, 2017


“Qual é a diferença entre felicidade e alegria? Esperança e desejo? Tristeza e Melancolia? Amor e hábito? Medo e desespero?”

Se eu fosse eu
Nem as páginas por escrever
Nem encontrar as palavras para o dizer
Me fariam medo…
Mas largo-me a mão
Afasto-me de mim
Dou comigo de manhã
No mau caminho
Quando nos perdemos
Como ultrapassar
Esse esforço inumano
Que nos conduz a nós
Se eu fosse eu
Nem a mulher que sou
Nem sequer o homem que dorme na minha cama
Me fariam medo
Se eu fosse eu
Nenhum peso que tenho no coração
O que faço de pior e de melhor
Me fariam medo…

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

(Fotos: PIXABAY)


03 março, 2025

Pétala nº 3847

Conversa de mulheres...


“ Sabe Deus o que se passa na cabeça deles diz Maise Dos homens
Eu sei diz Rosin Tentar arrancar duas palavras ao Martin era como fazer uma pedra sangrar Até ao dia em que se virou para mim e me disse que já não me amava
O mesmo com o meu Derek diz Maise É um autêntico bloco de madeira exceto quando está a ver os jogos da primeira divisão É então que liberta as emoções todas Ele e a Sky Sports É o romance do século”


“No último ano e meio nem conseguia com que o Martin olhasse para mim
O meu é tão mau quanto isso diz Geraldine Foi por isso que arranjei o Mickey Misterioso
Comigo é pior diz Maise Anda sempre atrás de mim a querer qualquer coisa
E como é que isso é pior diz Geraldine
Maise inspira profundamente pelo nariz Só estando lá para perceberes diz ela
E tu? Ainda o fazem? Pergunta Geraldine
Quem eu? Diz Imelda
Quem eu? Imita-a Geraldine com uma gargalhada
De vez em quando diz Imelda É sempre muito…
Tenta pensar numa palavra que não certinho mas não lhe ocorre nenhuma
Certinho diz ela
Eu não me importo que seja certinho diz Geraldine
Eu cá não diria que não a um certinho diz Roisin nem hesitava
Não tenho tido muita vontade ultimamente diz Imelda Nenhum de nós tem
Casados e com filhos – o derradeiro antiafrodisíaco diz Geraldine Quem me dera que alguém mo tivesse dito quando estava a pagar dois mil por um vestido de casamento”

PAUL MURRAY, escritor irlandês (1975-), in “A Picada de Abelha”, Ed. Livros do Brasil, 2024


Eu não quero mais chorar
Por causa de um amor qualquer
Minha dor tem que acabar
No carnaval, se deus quiser

GILBERTO GIL, músico, cantor, compositor brasileiro (1942-), versos da canção “Amor de Carnaval”, 2003

É Carnaval... não levem a mal!

(fotos: Pinterest e Pixabay)

17 fevereiro, 2025

Pétala nº 3845

AMOR e GUERRA, humor e tragédia, são os ingredientes essenciais de “O Adeus às Armas”, um clássico da literatura universal, o terceiro romance de Ernest Hemingway.


“Quando as pessoas defrontam o mundo com tanta coragem, o mundo só pode quebrá-las matando-as, e por isso, é claro, mata-as. O mundo quebra toda a gente (...) Mas àqueles que não consegue quebrar, mata-os. Mata os bons, os muito doces, os muito corajosos, imparcialmente.”


"- Estou farta de cabelo comprido. É muito incómodo de noite, na cama.
- Mas eu gosto dele.
- Não gostavas dele curto?
- Talvez. Mas gosto dele como está.
- Curto talvez ficasse bem. Então ficávamos ambos iguais. Oh, querido, eu queria tanto ser tu!
- E és. Nós somos um só.
- Bem sei. De noite somos.
- As noites são belas!"


“- Está a chover com toda a força.
- E hás-de amar-me sempre, é verdade?
- Hei-de.
- E a chuva não fará diferença?
- Não.
- Ainda bem. Porque eu tenho medo à chuva.
- Porquê?
- Não sei, querido. Sempre tive medo à chuva.
- Eu gosto dela.
- Gosto de passear à chuva. Mas é mau para o amor.
- Eu hei-de-gostar sempre de ti.
- Hei-de amar-te quer chova, quer neve, quer saraive e… que mais é?
- Não sei. Creio que estou com sono.
- Dorme, querido, hei-de amar-te de qualquer maneira.
- Não tens de facto medo à chuva, pois não?
- Quando estou junto de ti não tenho.
- Porque tens medo dela?
- Não sei.
- Diz.
- Não quero.
- Diz.
- Não.
- Diz.
- Está bem. Tenho medo à chuva porque às vezes vejo-me morta no meio dela.
- Não!
(...)"

ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano (1899-1961), in “O adeus às armas”, Ed. Livros do Brasil, 2001 
 Prémio Nobel de Literatura, 1954

(fotos: PIXABAY)


27 janeiro, 2025

Pétala nº 3842

"O tempo separa aqueles que se amam..."
(Vzlérie Perrin, in "TRÊS")


"Nunca mais disseram «amo-te» um ao outro. O amor tornara-se uma deficiência oculta. 

Eram agora pessoas tão diferentes que poderiam até mudar de nome e apelido, ir ao registo civil e preencher o seguinte requerimento: «Já não somos as pessoas que éramos. Solicitamos a alteração dos nossos dados pessoais». 
O passar dos anos tudo muda, excepto a saudade.

Como é o mundo quando a vida se torna saudade? Parece que é feito de papel, desfaz-se entre os dedos, desmorona-se.
Cada movimento, observa-se a si próprio, cada pensamento contempla-se a si próprio, cada sentimento tem início, mas não acaba, tornando-se o próprio objecto da saudade ilusório e irreal.
Só a saudade é verdadeira, viciante, impositiva – estar onde não se está, ter o que não se tem, tocar quem não existe. Este estado tem uma natureza variável e contraditória em si mesma. É a quintessência da vida e é contra a vida. Estranha-se na pele, chega aos músculos e aos ossos, que, doravante, começam a existir dolorosamente."

OLGA TOKARCZUK, psicóloga e escritora polaca (1962-), in “Casa de Dia, Casa de Noite ”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022
Prémio Nobel de Literatura, 2018


“- Pensava que as pessoas casadas conversavam sobre tudo.
- De certeza que algumas falam.”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024


Fotos de Teresa Dias: 
1 - PORTUGAL/Mafra, 2023
2 - PORTUGAL/Beja, 2022


01 julho, 2024

Pétala nº 3824

“Quando começo a escrever nunca sei nada do que me vai chegar. 
É deixar-me ir até onde a história me levar.”
(Jon Fosse, in Ípsilon, 22 Março 2024)
 

"De que passado parecem fugir eles? Inseparáveis desde o dia em que se conheceram, quando Asle era tocador de violino e a sua música era como o canto do pai de Alida, sabem que só se têm um ao outro..."

“Para onde vamos, diz Alida 
Ora, quem sabe, diz Asle 
Vamos até onde chegarmos, diz ela 
Vamos para onde nos levar o caminho, diz ele”

"Temos de partir em breve, diz ele
Mas para onde, diz ela
Para Bjørgvin, diz ele
Mas como, diz ela
Navegamos, diz ele
Então precisamos de um barco, diz ela
Eu arranjei um barco, diz Asle
Vamos descansar um pouco primeiro, diz ela
Então só um pouquinho, diz ele"

“A vida começa agora, diz ela 
Agora vamos a navegar no mar da vida, diz ele 
Acho que não consigo adormecer, diz ela 
Mas podes ficar aí deitada a descansar, diz ele 
É bom estar aqui deitada, diz ela
É bom que te sintas bem, diz ele 
Sim, nós estamos bem, diz ela e escuta o vaivém do mar e a Lua brilha e a noite é como um dia estranho e o barco desliza em frente, em direcção ao Sul, ao longo da costa"

"Tudo é muito mais agradável a dois, diz ela"

JON FOSSE, romancista, dramaturgo, poeta norueguês  (1959-), in “Trilogia” (2014), Cavalo de Ferro Ed., 2021
Prémio Nobel de Literatura, 2023

(Diálogos encontradas nas 204 páginas do livro, aqui alinhados a meu gosto.)


"Trilogia é uma parábola de inspiração bíblica sobre o amor, o crime, o castigo e a redenção."
Três histórias - Vigília (2007), Os Sonhos de Olav (2012) e Fadiga (2014) - que se fundem numa única história misteriosa, comovente, fascinante, de leitura compulsiva.
A escrita sem pontuação de Jon Fosse, primeiro estranha-se, depois entranha-se. (Aconteceu-me o mesmo com a escrita de José Saramago. Comecei a ler "Memorial do Convento", estranhei, coloquei de lado... e por lá ficou anos a fio. Curiosa e furiosa comigo própria, um dia voltei a Saramago... e só parei na última página do último romance publicado pelo autor)

É belíssimo este romance. Uma pétala!
Eu, já decidi: vou ler tudo, tudo, o que  Jon Fosse já publicou e o que vier a publicar. 

(Foto net: fiordes da Noruega)


18 março, 2024

Pétala nº 3809

"O amor! Que imenso mar!"
(Antero de Quental, in "Primaveras românticas")

 

Coisa amar  (excerto)
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor de fixação (excerto)
Há um caminho marítimo no meu gostar de ti.
Há um porto por achar no verbo amar
há um demandar um longe que é aqui.
E o meu gostar de ti é este mar.

MANUEL ALEGRE, poeta e político português (1936-)


Súplica (excerto)
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa", Ed. Dom Quixote, 2000


“Andar sem amor pela vida é como (...) fazer-se ao mar sem estrela-guia.”

STENDHALescritor francês (1783-1842) 



(Fotos: PORTUGAL/Porto Santo, 2023)

12 fevereiro, 2024

Pétala nº 3804

Amorrinho! 
Era assim que ele me chamava. Quem? 
Desvendo abaixo.
 

Encontrei no romance "O inverno do nosso descontentamento" um rol infindo de nomes ternurentos que Ethan (protagonista de uma história encantadora) chama a Mary, a sua mulher amada. Compartilhei-os no "Rol de Leituras", no doce Dezembro de 2019. Hoje, decidi plantá-los aqui.

Leia, divirta-se, memorize alguns, use-os. Há ocasiões em que uma simples palavrinha muda tudo para melhor.

ablativo absoluto
amor
amorzinho
botão de rosa
caracolinho
carícias
coelhinho
deliciosa mulherzinha
doçura
dorminhoca
encanto
esposa sem mácula
esquilo voador
filha de príncipe
flor dos campos
joaninha
madona
miss ratinha
mulherzinha querida
navio de luxo
pãozinho com mel
passarinho
patinho
pequenina
pequenina desavergonhada
pézinho de flor
pintainha
pintainho em flor
pomba
pombinha
pulgão
querida
queridinha
raminho de feto
rapariguinha em flor
ratinha
torrãozinho de açúcar
vossa alteza

JOHN STEINBECK, escritor americano (1902-68), in “O inverno do nosso descontentamento”, Ed. Circulo de Leitores, 1993
Prémio Nobel de Literatura, 1962
Pois... era o meu filho, aqui no dia do seu 2º aniversário. 'Amorrinho', repetia ele sem parar.
Hoje, com 48 anos, chama-me Mãe, raras vezes Mãezinha. E eu continuo a amá-lo,
como no dia em que nasceu.

Queridos amigos, na sequência do meu desabafo na passada segunda-feira, passo a informar que depois de analisados os resultados de todos os exames fui medicada para a pressão arterial (durante um mês, depois volto ao médico) e... para o sistema nervoso, segundo o médico a causa provável da súbita e vertiginosa subida da pressão. Como todos os resultados das análises são óptimos, será o meu emocional o culpado disto tudo.
Tenho mesmo de acalmar angústias, de relaxar o corpo e a mente. Eu sei que sim, mas, acreditem, não é fácil!
Vou andar por aqui. Faz-me bem!
Beijos e abraços. 

Grata a todos, por tudo! 🙏


(foto net)

05 fevereiro, 2024

Pétala nº 3803

Taj Mahal, símbolo do Amor Eterno


“O amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem o seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor.” 
JORGE AMADO, escritor brasileiro (1912-2001) 

“Amores eternos existem sim, e superam qualquer coisa, mesmo quando ninguém mais acredita neles, eles continuam sempre à espreita, esperando apenas um olhar, um retorno, uma reconciliação.”
AUGUSTO BRANCO, pseudónimo de Nazareno Vieira de Souza, poeta e escritor brasileiro (1980-)

“O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.” 
EÇA DE QUEIRÓS, escritor e diplomata português (1845-1900)

"Tanta gente quer fórmulas de amor eterno. Não acredito em fórmulas, mas, por via das dúvidas, não fale, não conte detalhes, não satisfaça a curiosidade alheia. A imaginação dos outros já é difamatória que chegue."
MARTHA MEDEIROS, escritora e poetisa brasileira (1961-) 

“O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.” 
ADÉLIA PRADO, filósofa, professora, contista e poetisa brasileira (1935-) 


MORRER DE AMOR 

Morrer de amor 
ao pé da tua boca
 
Desfalecer 
à pele 
do sorriso 

Sufocar 
de prazer 
com o teu corpo
 
Trocar tudo por ti 
se for preciso 

MARIA TERESA HORTA, escritora, jornalista e poetisa portuguesa (1937-)

Fotos: ÍNDIA /Agra, 2010. 

Texto e fotos aqui.

 
Queridos amigos, há dias o meu coração pregou-me um valente susto quando começou a bater desordenadamente ao mesmo tempo que a pressão arterial subia vertiginosamente. Já fui vista pelo meu médico, já fiz exames, já acalmei. Aguardo os resultados.
Vai ficar tudo bem, sei que sim, mas... filha de doente cardíaco tem medo de um coração descompassado.
Desculpem se não os visitar com a assiduidade habitual.
Beijos e abraços.

Grata a todos, por tudo! 🙏


29 janeiro, 2024

Pétala nº 3802

"Toma as minhas mãos e vem voar comigo."
(Albino Santos, in "Desvenda-me a noite")


"Toma as minhas mãos e vem voar comigo.
Envolve-te em minha dança, dá-me o teu céu e todas as tuas vontades, derrama sobre mim todo o desejo e abraça-me enquanto a dança durar, nos acordes de uma música que não pára de tocar."


AMANHECE

Amanhece.
A noite ainda brinca no nosso corpo.
Teus olhos nos meus a fazer fogueira,
fogo queimando o tempo
e murmúrios afogados nos lençóis da noite
que ainda retêm teu cheiro,
fazendo arder a nossa vontade.
Não quero acordar nem dormir.
Quero o amanhecer imprevisível do amor
silencioso e cúmplice,
o sabor oculto
o prazer do enlace
o deslumbrado abandono,
o desejo solto nos teus lábios
onde o sol se acende,
o fogo inunda,
e o prazer se derrama...

ALBINO SANTOShttps://as-polyedro.blogspot.com/, in "POLIEDRO", Seda Publicações, 2023


Obrigada, meu amigo!


(Fotos: PORTUGAL/Cascais - Parede, um amanhecer de Dezembro 2023)

01 dezembro, 2023

Pétala nº 3796

“É Dezembro, temos de ser melhores em Dezembro.”
(Patrícia Reis, in “Chave de entendimento para uma sinfonia perdida”)


“O que acontece na alma de um homem… quando se perdeu tudo o que torna o ser humano mesmo humano? Na alma de um homem que permanece fiel a um pacto escrito e não escrito, à lei da solidariedade, num mundo que repudia toda a lei humana e, tomado por uma raiva sem sentido, se destrói a si próprio.”

SÁNDOR MÁRAI, escritor húngaro (1900-89), in “Libertação” (escrito entre Julho e Setembro de 1945), Ed. D. Quixote, 2023


“Para fazer um pouco de bem no mundo… é preciso esforçar-se muito, mas mal basta segui-lo, juntar-se a ele.”

“O que se pode dizer quando não há nada a fazer.”
“Não é tempo de fazermos algum bem um ao outro?”

DAVID GROSSMAN, escritor israelita (1954-), in “A vida brinca comigo”, Ed. Dom Quixote, 2020


“Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”

FERNANDO PESSOA, poeta português (1888-1935)



(fotos net)

13 novembro, 2023

Pétala nº 3793


“É terrível rechaçarmos o que em tempos, brevemente, amámos, ou julgámos amar, ou quisemos pensar que amávamos. Mas a que estamos acorrentados, ainda assim, para a vida toda.”
DAMON GALGUT, escritor sul-africano (1963-), in “A Promessa” (Booker Prize, 2021), Ed. Relógio d'Água, 2021

"... o encantamento deve ser conservado em seu próprio vaso, de contrário transborda e desfaz-se em nada."
LÍDIA JORGE, escritora portuguesa (1946-), in “Misericórdia”, Ed. D. Quixote, 2022"

“… uma parte do amor reside em ser-se surpreendido pela pessoa que se ama, embora se possa conhecê-la profundamente e bem. É um sinal de que o amor está vivo. A inércia mata o amor – e não só o amor sexual; todos os tipos de amor.”
JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022

"Casamento, sucesso, amor, são só palavras…”
JOHN DOS PASSOS (John Roderigo Dos Passos, oriundo de uma família portuguesa, Madeira), escritor e pintor norte-americano (1896-1970), in “Manhattan Transfer” (1925), Ed. Presença, 2009


“Não sei se estás em mim
ou se estou em ti, ou se me pertences.
Penso que estamos ambos no interior
de outro ser que criámos e se chama «nós».

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


(fotos Pinterest)

10 maio, 2023

Pétala nº 3770

O amor é um sentimento, mas é, sobretudo uma relação. (…) 
O amor começou a ser servido como adjetivo para tudo, banalizando uma das palavras mais carregadas de força do nosso léxico. Usar a mesma palavra que serve para definir a relação com alguém, para um prato de bacalhau ou para um qualquer ator ou cantor, é tornar trivial o sentimento mais estruturante do nosso ser. Posso viver sem «amar» uma feijoada, mas não conseguiria sobreviver sem amar e ser amado.” 

JOSÉ GAMEIRO, psiquiatra português (1949-), in crónica “Amar”, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 16 Dezembro 2022




01 março, 2023

Pétala nº 3743

“A união faz a força, a força traz a vontade, a vontade traz a esperança, a esperança traz a paz, a paz traz a sabedoria, a sabedoria traz o amor, e o AMOR liberta a consciência.”

Autor desconhecido.

(foto net)

14 fevereiro, 2023

Pétala nº 3732

“Haverá alguma palavra mais mitificada, mais maltratada, mais mal-entendida, mais flexível em termos de sentido e intenção, mais manchada, mais deslustrada pela saliva de um milhão de línguas mentirosas do que a palavra «amor»? E haverá alguma coisa mais banal do que queixumes sobre isso? No entanto, não a podemos substituir, porque também é robusta, granítica, de armadura impermeável. É à prova de água, resistente a tempestades, deflectora de relâmpagos.”

JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Elizabeth Finch”, Ed. Quetzal, 2022



Hoje, Dia dos Namorados.


(foto net)

10 fevereiro, 2023

Pétala nº 3730

Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 
(primeira estrofe de um poema de Álvaro de Campos)


"Meu Bébé pequenino:
Então o meu Bébé fez-me uma careta quando eu passei?
Então o meu Bébé, que disse que me ia escrever hontem, não me escreveu?
Então o Bébé não gosta do Nininho? (Não é por causa da careta, mas por causa de não escrever)
Olha, Nininha; e agora a sério: achei que tinhas um ar alegre hoje, que mostravas boa disposição. Também pareces ter gostado de ver o Ibis, mas isso não garanto, com medo de errar.
Ainda fazes muita troça do Nininho? (A. De C.).
Não sei se irie amanhã a Belem; o mais provável, como te disse, é que vá. Em todo o caso, já sabes: depois das 6.30 não apareço, de modo que escusas de esperar pelo Ibis para alem dessa hora.
Ouvistaste?(sic)
Muitos beijos e um abraço á roda da cintura do Bébé.
Sempre e muito teu
Fernando
6/5/1920

"Meu Bébé pequenino:
Pelo papel vês de onde te estou escrevendo. Refugiei-me aqui da chuva, e, como por isso atrazei varias cousas que tinha que fazer, não poderei ir ás 6 horas a Belem acompanhar a Nininha até Lisboa.
Estou um pouco melhor (de saúde, não de juízo), mas ainda me sinto bastante mal disposto.
Amanhã (salvo doença ou outra cousa que estorve) passo na tua rua entre as 11 e as 11.30. Se o Bébézinho quizer estar á janella, vê o Nininho passar. Se não quizer, não o vê (É author destas ultima frase o meu querido amigo Alvaro de Campos).
Que pena a fabrica em Belem não ter telephone. Se tivesse eu poderia avisar-te de que não ia, nos dias em que não pudesse ir; e excusava a Ibis do Ibis de esperar pelo Ibis.
Adeus, Bébé queridinho: muitos beijinhos do mau e sempre teu
Fernando
22/5/1920"

Duas cartas de amor escolhidas de entre a meia centena reunida neste livro, com posfácio e notas de David Mourão-Ferreira, e preâmbulo de Maria da Graça Queiroz (sobrinha-neta da destinatária das cartas).
As cartas - ternurentas, comoventes, bem-humoradas, respeitosas - são de Fernando Pessoa (1888-1935) para Ophélia Queiroz (1900-91), sua única namorada conhecida.
Como foi que se conheceram? Como foi o namoro?
Ophélia desvenda tudo num emocionante testemunho:

"Como conheci o Fernando
Respondi a um anúncio do «Diário de Notícias».
Tinha 19 anos, era alegre, esperta, independente e, contra a vontade de meus Pais e família, resolvi empregar-me.
Conheci o Fernando no dia em que me apresentei ao anúncio… um senhor todo vestido de preto… com um chapéu de aba revirada e debruada, óculos e laço no pescoço. Ao andar, parecia não pisar o chão. E trazia – coisa mais natural – as calças entaladas nas polainas. Não sei porquê, aquilo deu-me uma terrível vontade de rir…
Foi esta a minha primeira imagem do Fernando.
O Fernando adorava-me, e tinha uns repentes de paixão que me assustavam, mas que ao mesmo tempo me divertiam.
Era duma delicadeza e duma ternura imensa. (...)"

Chegaram a casar? Não!
Fernando Pessoa nunca casou.
Ophélia casou com um homem do teatro, três anos após a morte de Fernando.

Um poeta solitário - apaixonado.
Estranho? Não, lindo!


27 janeiro, 2023

Pétala nº 3720

"O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o."

"Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade."

"O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá."

MADRE TERESA DE CALCUTÁ, missionária católica de etnia albanesa (1910-97) 
Prémio Nobel da Paz, 1979


(De entre os pequenos «pães da aldeia» que comprei este destacou-se e eu fotografei.)


Pão, pão à séria, eu nunca fiz, nem sequer tentei fazer. Mas faço uns Pãezinhos de Chouriço gostosíssimos e facílimos de preparar. Verdade! 
Espreite a receita aqui


Nestes dias frios e chuvosos, faça os pãezinhos, sirva-os quentinhos, delicie-se, compartilhe!


(foto net)


08 novembro, 2022

Pétala nº 3664

"O tempo pode aliviar a dor do amor, mas só a morte pode silenciar a angústia da vaidade ferida.”

SOMERSET MAUGHAM, (William Somerset Maugham), romancista e dramaturgo inglês (1874-1965), in “O Agente Britânico” (1928), Edições ASA, 2021


31 outubro, 2022

Pétala nº 3656

“Obrigada pelo conselho amoroso não solicitado. Irei certificar-me de que o ignoro.”

SALLY ROONEY, escritora irlandesa (1991-), in "Mundo Belo, onde Estás" (Beautiful World, Where Are You, 2021), Ed. Relógio D'Água, 2021


27 setembro, 2022

Pétala nº 3622

“O amor nunca morre de morte natural. 
Morre porque nós não sabemos reabastecer sua fonte. 
Morre de cegueira, dos erros e das traições. 
Morre de exaustão, da ingratidão, da falta de brilho. 
Morre quando o olhar impede o renascer de um novo dia!” 


(Comentário, pétala 3543)