“Em verdade, em verdade vos digo que muitas coisas neste mundo poderiam saber-se antes de acontecerem outras que dela são fruto, se, um com o outro, fosse costume falarem marido e mulher como marido e mulher.
José Saramago, escritor português (1922-2010), in “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, Ed. Caminho, 1992
“O passado é um imenso pedregal que muitos gostariam de percorrer como se de uma auto-estrada se tratasse, enquanto outros, pacientemente, vão de pedra em pedra, e as levantam, porque precisam de saber o que há por baixo delas.”
José Saramago, escritor português (1922-2010), in “O homem duplicado”, Ed. Caminho, 2002
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos que nos levam sempre ao mesmo lugar."
Fernando Pessoa, poeta português (poeta português (1888-1935)
“Há um momento em que todos querem fugir de casa, mesmo que se dêem bem com a família. Sentem que têm de partir por causa de algo que fizeram, ou que querem fazer, ou talvez nem saibam porquê. Talvez seja como uma fome lenta que os faz sentir que têm de ir embora em busca de qualquer coisa.”
Carson McCullers, escritora americana (1917-67), in “Contos Escolhidos”, Ed. Relógio d’Água, 2012
“Dizem que
os papões já não existem, mas os papões ainda existem. O meu pai de dia é
advogado e de noite é um papão. Quando estou a dormir e tenho medo que a porta
se abra, agarro-me ao Teddy. O Teddy é o meu urso, há muito tempo que somos
amigos."
Susanna Tamaro, escritora italiana (1957-), in "Todo o anjo é terrível”, Ed. Presença, 2013
“Os filhos têm uma necessidade absoluta de admirar os pais, de se sentirem orgulhosos deles; estão dispostos a agarrar-se a qualquer coisa só para imaginarem neles algo de digno e de grande e, quando isto não acontece, uma sombra de humilhação e de degradação estende-se na sua vida.”
Susanna Tamaro, escritora italiana (1957-), in "Todo o anjo é terrível”, Ed. Presença, 2013
“Quanto mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer. Mais vale morrer do que arrastarmos na ociosidade uma velhice insípida: trabalhar é viver.”
“Nunca devemos, mesmo inadvertidamente, mesmo sem o queremos, exumar o horror, pois ele pode ressuscitar e propagar-se. Introduz-se nas cabeças, cresce, regenera.”
Philippe Claudel, escritor francês (1962-), in “O Relatório de Brodeck”, Ed. ASA, 2009