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01 julho, 2025

Pétala nº 3863

13º Aniversário do "Pétalas de Sabedoria"
Da mania das frases floresceu um jardim de pétalas.

Esta é a última Pétala? Talvez!


ORAÇÃO PELOS AMIGOS

"Obrigado, Senhor, pelos amigos que nos deste. Os amigos que nos fazem sentir amados sem porquê. Que têm o jeito especial de nos fazer sorrir. Que sabem tudo de nós, perguntando pouco. Que conhecem o segredo das pequenas coisas que nos deixam felizes. Obrigado, Senhor, por essas e esses, sem os quais, caminhar pela vida não seria o mesmo. Que nos aguentam quando o mundo parece um sítio incerto. Que nos incitam à coragem só com a sua presença. Que nos surpreendem, de propósito, porque acham mal tanta rotina. Que nos dão a ver um outro lado das coisas, um lado fantástico, diga-se.
Obrigado pelos amigos incondicionais. Que discordam de nós permanecendo connosco. Que esperam o tempo que for preciso. Que perdoam antes das desculpas. Essas e esses são os irmãos que escolhemos. Os que colocas a nosso lado para nos devolverem a luz aérea da alegria. Os que trazem, até nós, o imprevisível do teu coração, Senhor."

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-)


CONFIDENCIAL 

Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitado.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que em mim não possas entender.

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa",
 Ed. Dom Quixote, 2000


“Quem deixa de ser amigo nunca o foi.
E quanto mais o meu coração pensa nisso, mais magoado fica.”

“… beber champanhe, mas com moderação. Só para que a cabeça lhe ande um pouco à roda, mas não demasiado. Quando anda demasiado à roda, faz transbordar o desgosto.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023


Um brinde à Vida, à Amizade, à Literatura!

Queridas amigas e queridos amigos, publico hoje frases há muito guardadas para quando este momento de celebração e despedida chegasse. Poderiam ser outras de entre as muitas, muitíssimas, que aguardam publicação, mas foram estas as escolhidas.
Como não me imagino a destruir frases que me tocaram, e guardo cuidadosamente, nem a ignorar as que for encontrando em novas leituras, não estranhem se me virem por aqui a manter viçoso, colorido e perfumado este «jardim». Desta forma, continuarei a deixar um rastro de cor neste mundo cada vez mais enevoado.
De saúde estou bem, graças a Deus. Apenas algum cansaço, desconforto, que me obriga a parar e a encher os meus dias não de frases, mas de Vida.
Não duvidem, serei para sempre grata pela vossa amizade, pelas pétalas, pelas visitas, pelos comentários, pelos beijos e abraços. Que consolo!
Obrigada por tudo. Obrigada e outra vez obrigada! 
Beijos e abraços. 🌹


(fotos: PIXABAY)

Até sempre!

23 junho, 2025

Pétala nº 3861

"Dediquem-se aos poemas! Encham a vossa vida de poesia!"
(Paul Murray, in "A Picada de Abelha)


VERÃO - Entendemos bem aquele verso de Rilke que diz «Espero pelo verão como quem espera por uma outra vida.» Na verdade, não é por uma vida estranha e fantasiosa que esperamos, mas por uma vida que realmente nos pertença.”

“A vida é o que permanece, apesar de tudo: a vida embaciada, minúscula, imprecisa e preciosa como nenhuma outra coisa. A sabedoria é a vida mesma: o real de viver, a existência não como trégua, mas como pacto, conhecido e aceite na sua fascinante e dolorosa totalidade.”

“Nós somos imprevisíveis. Às vezes olhamo-nos ao espelho e, mesmo sem dizer, dizemos aquele verso de Rimbaud, «Eu sou um outro.». «Quem é este que me olha no espelho?» Olhamos para nós e há uma estranheza de ser que nunca se cura: «Mas sou assim? Que caminho é este? Que tempos são estes que me habitam?» Nós somos também um segredo para nós mesmos e temos de aceitar-nos assim. Somos um enigma, uma pergunta, e temos de aceitar isso. Caso contrário, não teremos paz.”

“A poesia traz à vida alguma coisa de que ela precisa. (...)  A poesia dá-nos o sentido profundo da nossa fragilidade e da nossa vulnerabilidade. E da aceitação disso." 

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-) in “Uma beleza que nos pertence”, Ed. Quetzal, 2019
RAINER MARIA RILKE, poeta e romancista austríaco (1875-1926) 
ARTHUR RIMBAUD, poeta francês (1854-91)


SOL DE VERÃO

Filha, agora é tempo de sol!
Tempo de dias ensolarados,
tempo de noites estreladas,
tempo de noites enluaradas!
Sol ao amanhecer,
sol ao meio-dia,
sol na tarde quente!
Sol, muito sol, filha!
(…)
Há tanta gente alegre, filha!
Sorrisos voam
como pássaros,
de um lugar para outro!
Voltou o sol de verão, filha!
Veio com a luz da esperança.

 PEDRO LUSO DE CARVALHO, ( https://pedrolusodcarvalho.blogspot.com/),
versos do poema "Sol de Verão", 16 janeiro 2020

(fotos: PIXABAY)



09 junho, 2025

Pétala nº 3859

"Amigos
Que desgraça nascer em Portugal"
(António Nobre, citado em "Viagem de Inverno")


Férias da Pátria (2007) - excerto
“No país que me coube em sorte, os velhos são tristes, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os serviços públicos funcionam mal, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as escolas estão degradadas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os transportes são maus, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as ruas têm buracos, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os canais de televisão são um estendal de imbecilidades, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; os políticos são medíocres, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as praias estão poluídas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as casas estão arruinadas, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; nas bibliotecas públicas os livros caem de podres, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria; as câmaras são focos de corrução, mas não me importo porque pertencem à minha Pátria. (…)
Chegara o momento, concluí, para tirar férias da Pátria.”

Inquietações modernas (2018) - excerto
"Muitos dos pais abastados argumentam que os jovens têm hoje facilidades únicas (...) mas quando começarem à procura de emprego, outra música cantará. Os fundos que chegaram ao nosso país após a adesão à União Europeia foram, sabemo-lo, mal utilizados. Os nossos descendentes têm razão se, um dia, nos pedirem contas pelo que andámos a fazer nas décadas de 1980 e 1990."

MARIA FILOMENA MÓNICA, filósofa, socióloga, docente, investigadora, escritora portuguesa (1943-), in “Viagem de Inverno” (compilação de artigos publicados em diversos jornais e revistas), Ed. Relógios de Água, 2024


Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou ave da esperança.
(...)

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa (versos do poema "Ave da Esperança")",
 Ed. Dom Quixote, 2000

(fotos: PIXABAY)


12 maio, 2025

Pétala nº 3857


"Gostava de começar com uma citação de René Daumal. “Estou consciente de que não posso pensar. Sou um poeta.” Estas palavras têm alguma ressonância em si?
Ser poeta, como em qualquer vocação, é algo para o qual algumas pessoas parecem ter nascido. É uma missão ou é entendida como uma missão. Para mim, que sempre me relacionei com a poesia, lendo e escrevendo desde criança, sempre foi uma linguagem mística, secreta ou mesmo sagrada. É a este nível que penso na poesia. Afirmar-se poeta é aceitar a responsabilidade de produzir um trabalho inspiracional para os outros; um trabalho que lhes dá as palavras que eles não encontraram por si próprios para as emoções e os sentimentos que têm. Pode-se pensar que é simples ser poeta, mas para mim é um trabalho maior. Nem sempre é lucrativo, e às vezes é difícil de entender, mas é um trabalho sério que tira muito de nós, nos faz tremer, e que exige a nossa consciência. Não se pode dizer “vou deixar de ser poeta”. É-se poeta. É-se guardião do jardim da linguagem sagrada e séria.

"Usa a palavra sagrada. Reza desde criança, e já escreveu que ficou muito feliz quando percebeu que podia compor as suas próprias orações. Pode-se dizer que para si a poesia é uma questão menos racional e mais espiritual?
A arte é sempre uma forma de rezar; ou é uma outra forma de nos expressarmos. Podemos expressar tantas coisas quando rezamos. Não penso que rezar seja uma forma de pedir coisas. Para mim a oração é um espaço de gratidão, porque a única coisa que podemos pedir é a força para enfrentar o que temos de enfrentar. O resto é gratidão. (…)"

PATTI SMITH, cantora, compositora, poeta, pintora, escritora, fotógrafa americana (1946-), excerto da entrevista a Cristina Margato, revista “E”, jornal Expresso de 21 Março 2024

RENÉ DAUMAL, escritor, crítico e poeta francês (1908-1944)


SOMOS TODOS POETAS

Por que não queres os versos que te nascem
Como rebentos pelo tronco acima?
Por que não queres a inesperada rima
Dos sentimentos?
Olha que a vida tem desses momentos
Que se articulam numa cadência
Tão imprevista,
Que é uma conquista
Da consciência
Não ser um túnel de negação…
Brotam as folhas que são precisas
E outras que o não são.

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa", Ed. Dom Quixote, 2000


Pequena pausa.
Beijos e abraços.

(Fotos: PIXABAY)


28 abril, 2025

Pétala nº 3855

"Bastam-me apenas as palavras
para viver o amanhã"
(Albino Santos, versos do poema "Bastam-me as palavras")


A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS (excerto)

"O tempo é infinito... mas tão efémero. De repente, ele se esvai no interior de nós e oculta o sol, que se extingue nas sombras impenetráveis do destino. Fecham-se as janelas da alma, expulsam-se os sorrisos, até que o murmúrio da noite se sobreponha a tudo cobrindo-me com o seu lençol de silêncio. Estou só, numa árida deambulação sem caminho, procurando as palavras quase sem ardor nem gosto. Na complexidade das coisas banais, talvez uma luz imprevista venha reacender a paisagem!"


O SILÊNCIO É NEGRO

Apetece-me o silêncio!
O silêncio nocturno das cidades,
entre a penumbra e a alba
onde crepitam todas as paixões.
Nos meus versos insaciados
escondem-se lúgubres noites
entre sonhos imperfeitos e nostálgicos
amanheceres.

Eu sei que o silêncio é negro
como é negro sentir
que o olhar que queremos não nos afaga
e a boca que desejamos não nos procura.
Mas a minha boca ainda respira em versos
e sente o sabor do beijo
com que as pétalas amam o coração das rosas!

ALBINO SANTOShttps://as-polyedro.blogspot.com/, in "A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS", Seda Publicações, 2025


Obrigada, meu amigo!


(Foto net. Agradeço a quem me enviou.)

21 abril, 2025

Pétala nº 3854

"Por onde se empurra este país para levá-lo para a frente?"
(MAFALDA, personagem do cartunista argentino Quino)


DESCOBRIMENTO
Saudavam com alvoroço as coisas
Novas
O mundo parecia criado nessa mesma
Manhã


OS ERROS
A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida - o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado, e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?


POEMA
Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos

Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga

Poemas de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004),
 in "Obra poética II", Círculo de Leitores, 1992
(Fotos: PIXABAY)

17 março, 2025

Pétala nº 3849

"Todos os homens são iguais.
Mas alguns são poetas."


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um xadrez silencioso.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que leem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

JORGE LUIS BORGES, escritor argentino (1899-1986)


Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

DANIEL FARIA, poeta português (1971-1999)


Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos e são muito bons.
Porém, há os que lutam toda a vida.
Esses são os imprescindíveis.

BERTOLT BRECHT, dramaturgo alemão (1898-1956)

(Fotos: PIXABAY)

10 março, 2025

Pétala nº 3848

“Uma mulher a chorar no metro é sempre uma desconhecida. Para os outros e, muito provavelmente, para si própria.”

“… temos sorte até a sorte se esgotar.
Nessa altura, teremos de criar a nossa própria sorte.”

“Como é que nós sabemos, como é que alguém sabe quando passa da fase de ser possível ultrapassar os problemas para a fase em que já é demasiado tarde? Existirá… um interlúdio durante o qual se está tão aborrecido ou desapontado ou tomado pelo arrependimento que é, de facto, demasiado tarde? Ou, mais concretamente, será que chegamos ao é demasiado tarde uma e outra vez, apenas para voltarmos a ultrapassar os problemas antes que chegue o é demasiado tarde outra vez?”

MICHAEL CUNNINGHAM, escritor norte-americano (1952-), in “dia”, Ed. Gradiva, 2024


“A força conquista a fraqueza… é um simples facto da vida, não é?”

“Na vida, temos de empreender acções decididas… Fazer o que queremos fazer… agarrar aquilo que queremos. Quando queremos acabar com alguma coisa, ACABAR. E viver com as consequências.”

GAIL HONEYMAN, escritora inglesa (1972-) in “A Educação de Eleanor”, Porto Editora, 2017


“«Quando a vida nos tira uma coisa, dá-nos outra.» Mas às vezes a vida engana-se. Faz batota ao dar as cartas. Às vezes a vida mente-nos, abusa da nossa credulidade.”

“Tornamo-nos aquilo que fazem de nós e que aceitamos.”

Não se prende a espuma
Na palma da mão
Sabe-se que a vida se consome
E não resta nada
De uma vela que ilumina
Podes ainda decidir o teu caminho
Do teu caminho
Crês que tudo se resume
Ao sal entre os nossos dedos
Quando mais leve que uma pena
Podes guiar os teus passos
Sem tristeza nem amargura
Avançar, avança, pois tudo desaparece.

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023

(fotos: PIXABAY)


03 fevereiro, 2025

Pétala nº 3843

"Tem de haver poesia, mesmo nos tempos mais sombrios..."
(Zbigniew Herbert)


Se vais fazer uma viagem que seja uma longa viagem
aparente deambulação sem rumo a tactear
para poderes conhecer com o olhar e o tacto a aspereza da terra
e medir-te com o mundo em toda a tua pele
(...)
Se acaso souberes algo silencia o teu saber
estuda de novo o mundo qual filósofo jónico
saboreia a água e o fogo o ar e a terra
eles continuarão a existir quando tudo tiver passado
a viagem prosseguirá embora já não seja a tua
(...)
Descobre a insignificância da fala o poder régio do gesto
a inutilidade dos conceitos a pureza das vogais
com as quais tudo se pode exprimir tristeza alegria fascínio raiva
mas não sintas raiva
aceita tudo
(...)
Assim a haver viagem que seja uma longa viagem
verdadeira viagem da qual não se regressa
réplica do mundo viagem elementar
diálogo com os elementos da natureza pergunta sem resposta
pacto forçado após a batalha
grandiosa reconciliação
 
ZBIGNIEW HERBERT, poeta e ensaísta polaco (1924-98), versos do poemaA viagem”, in “POESIA QUASE TODA Ed. Cavalo de Ferro, 2024

Leia sobre o poeta aqui .




(fotos: PIXABAY)


16 dezembro, 2024

Pétala nº 3839

Boas Festas!


HOSSANA

Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro...

Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta, em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza!

MIGUEL TORGA, poeta português (1907-95), in "Poesia completa", Ed. Dom Quixote, 2000


“Somos ramos da mesma videira, somos vasos comunicantes: o bem e o mal que realiza cada um reverte-se sobre os outros. Na medida em que permanecemos em Deus, aproximamo-nos dos outros e, na medida em que nos aproximamos dos outros, permanecemos em Deus.”
PAPA FRANCISCO (Jorge Mario Bergoglio), 266º Papa da Igreja Católica, eleito em 13 de Março de 2013, natural da Argentina (1936-)

“Somos todos seres humanos e estamos todos em perigo. Temos de nos compreender e amar rapidamente.”
SÁNDOR MÁRAI, escritor húngaro (1900-89), in “Libertação” (escrito entre Julho e Setembro de 1945), Ed. D. Quixote, 2023


"A oração habita cada um dos nossos sentidos"

"Rezar é sempre conspirar por um acontecer."

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-) in “Uma beleza que nos pertence”, 
Ed. Quetzal, 2019


Desejo-lhe um Feliz Natal e 
um Novo Ano cheio de 
Saúde, Amor, Paz e Alegria.


Luís, muito obrigada por mais uma estrela sua.
Tenha um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.


(Volto no dia  13 de Janeiro. Beijos e Abraços.)


(Fotos: PIXBAY)

17 novembro, 2024

Pétala sem número

 
Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos; 
É ter dois olhos no mundo
Que veem pelos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!
(...)
Ter um Pai! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!

FLORBELA ESPANCA, poetisa portuguesa (1894-1930)


Parabéns, pai!
Saudade eterna.

04 novembro, 2024

Pétala nº 3833


CARTA À MINHA FILHA

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.
(…)
E o que eu queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.

E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
(…)

ANA LUÍSA AMARAL, poetisa, tradutora, professora portuguesa (1956-2022), versos do poema "Carta à Minha Filha"


PARABÉNS FILHOTA!
Mil beijos e abraços carregados de Amor. 💚💛



(fotos PIXABAY)

28 outubro, 2024

Pétala nº 3832

Reviravoltas da Vida


“Gosto da minha vida… Contra ventos e marés.”

“… não encontrei na vida maior mistério do que eu próprio”.

“Seja lá como for que imaginamos o que vai ser a nossa vida, o mais provável é não acertarmos. Concordas?"

“Quando foi a última vez que ‘tiveste sozinho. A ver a noite cair. A ver o dia nascer. A pensar na tua vida. A pensar nos lugares onde ‘tiveste e onde queres ir. Se houve uma razão pra tudo o que fizeste.”

CORMAC McCARTHY, escritor americano (1933- 2023), in “O Passageiro”, Ed. Relógio d’Água, 2022)


"A vida, que é uma fieira de sofrimentos de intensidade crescente, acelera até ao fim, o sofrimento extremo."
LEV TOLSTÓI, escritor russo (1828-1910), in “A Morte de Ivan Iliitch” (1886), Ed. Presença, 2024

“A vida é tão curta e o ofício de viver tão difícil, que, quando começamos a aprendê-lo, temos de morrer.”
ERNESTO SÁBATO, escritor, artista plástico argentino (1911-2011)

"Morremos independentemente daquilo que comemos, daquilo que fazemos, daquilo que pensamos. Tudo indica que a morte é um momento mais natural do que a vida."
OLGA TOKARCZUK, psicóloga e escritora polaca (1962-), in “Casa de Dia, Casa de Noite ”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022
Prémio Nobel de Literatura, 2018


"Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida..."

VINICIUS DE MORAES,  poeta e compositor brasileiro (1913-80)

(fotos net)

14 outubro, 2024

Pétala nº 3830

Em noite de lua cheia...
"Nunca me disseste amo-te, mas eu amo-te por nós."
(Valérie Perrin, in "os esquecidos de domingo")


"Há duas coisas que aprendi no contacto com os mais velhos.
Aproveita a vida, ela passa depressa. 
Nunca contes um segredo. Nem ao teu irmão, nem ao teu filho, nem ao teu pai, nem à tua melhor amiga, nem a um desconhecido. Nunca.’’
VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "os esquecidos de domingo", Ed. Presença, 2023

"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY, piloto e escritor francês (1900-44)

Nunca sabemos como vai andar a roda do destino.” 
JOSÉ CARLOS BARROS, arquitecto e escritor português (1963-), in “As pessoas invisíveis” (Prémio LeYa, 2021), Ed. LeYa, 2022

Nunca devemos subestimar o egoísmo.”
CLARA FERREIRA ALVES, jornalista e escritora portuguesa (1956-), in crónica "Confessional", publicada na revista "E", do jornal Expresso de 20 janeiro 2023

“Felizmente, nunca nos habituamos a viver derrotados.” 
MARTA ORRIOLS, escritora espanhola (1975), in “Doce introdução ao caos”, Ed. D. Quixote, 2022

"Não saberei nunca /dizer adeus
MIA COUTO, escritor moçambicano (1955-), versos do "Poema da despedida", in "Raiz de orvalho e outros poemas", Ed. Caminho, 2009


"Não esqueças nunca Treblinka e Hiroshima
O horror o terror a suprema ignomínia"

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, poetisa portuguesa(1918-2004), 
versos do poema "Não te esqueças nunca".


 Fotos da amiga Chica: "Céu e palavras"


07 outubro, 2024

Pétala nº 3829

OUTONO ou PRIMAVERA ... que traga a Paz mundial


Canção de Outono

No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.

Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.

Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.

FERNANDO PESSOA, poeta português (1888-1935), poema publicado em 1922 
no semanário "Ilustração Portuguesa", nº 833.


Há uma primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

FLORBELA ESPANCA, poetisa portuguesa (1894-1930), versos do poema "Amar", 
in “Sonetos”, Livraria Bertrand, 1980

 
Luís, obrigada pelo miminho outonal. Lindo!


Voltei, para desejar a quem visita este "jardim" um
Outono ameno ou, se for o caso, uma 
Primavera florescente.
Beijos e Abraços.