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31 dezembro, 2020

Pétala nº 3140

"Hoje é o último dia do ano. Em todo o mundo que este calendário rege andam as pessoas entretidas a debater consigo mesmas as acções que tencionam praticar no ano que entra, jurando que vão ser rectas, justas e equânimes, que da sua emendada boca não voltará a sair uma palavra má, uma mentira, uma insídia, ainda que as merecesse o inimigo, claro que é das pessoas vulgares que estamos falando, as outras, as de excepção, as incomuns, regulam-se por razões próprias para serem e fazerem o contrário sempre que lhes apeteça ou aproveite, essas são as que nunca se deixam iludir, chegam a rir-se de nós e das boas intenções que mostramos, mas, enfim, vamos aprendendo com a experiência, logo nos primeiros dias de Janeiro, teremos esquecido metade do que havíamos prometido, e, tendo esquecido tanto, não há realmente motivo para cumprir o resto, é como um castelo de cartas, se já lhe faltam as obras superiores, melhor é que caia tudo e se confundam os naipes."
JOSÉ SARAMAGO, in “O ano da morte de Ricardo Reis” (pág. 59)

(pôr-do-sol fotografado da minha varanda,  dia 25.12.2020)

09 fevereiro, 2014

Pétala nº 623

“Nunca prestei grande atenção ao calendário, nunca comemorei datas. Tenho para mim um relógio íntimo que marca outro compasso nisso que chamamos de tempo.”

Mia Couto, escritor moçambicano (1955-), in “Pensageiro frequente”, Ed. Caminho, 2010