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18 novembro, 2024

Pétala nº 3835


“Há as lembranças, o presente e as nossas vidas anteriores que mudam de cheiro. Quando se muda de vida, muda-se de cheiro.

A infância tem o do alcatrão, de uma câmara de ar e do algodão-doce, do desinfetante das salas de aula, das chaminés das lareiras que exalam o hálito das casas nos dias de frio, do cloro das piscinas municipais, da transpiração agarrada à roupa nas filas dois a dois à saída do ginásio, das pastilhas elásticas na boca, da cola que faz fio nos dedos, das gomas entaladas entre os dentes, de uma árvore de Natal plantada no coração.


A adolescência tem o odor da primeira passa, de um desodorizante almiscarado, de uma fatia de pão com manteiga numa caneca de chocolate quente, do uísque-cola e das caves transformadas em salas de baile, do corpo que deseja, da água de colónia, do gel para o cabelo, do champô de ovo, do batom, de restos de detergente numas calças de ganga.


As vidas posteriores, aquela da écharpe esquecida pelo primeiro desgosto amoroso.


E depois há o verão. O verão pertence a todas as lembranças. É intemporal. É o cheiro que é mais duradouro. Que se agarra às roupas. Que se busca toda a a vida. Os frutos mais doces, a brisa marítima, as bolas de Berlim, o café escuro, o protector solar, o pó de arroz das avós. O verão pertence a todas as idades. Não há infância nem adolescência. O verão é um anjo."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023



(fotos PIXABAY)

06 janeiro, 2023

Pétala nº 3705

Há sempre países mágicos que fazem parte da nossa infância. Os que nos vêm à memória e que visitamos quando dormimos e sonhamos. São tão maravilhosos à noite como quando éramos crianças. Se alguma vez voltamos para os ver, desvanecem-se. Mas à noite não perdem nada da antiga beleza se tivermos a sorte de sonhar com eles.” 

ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano (1899-1961), in “Verdade ao amanhecer (True at first light, publicação póstuma 1999)”, Publicações Dom Quixote, 2001 
Prémio Nobel de Literatura, 1954


Lourenço Marques, actual Maputo, onde vivi dos 6 aos 23 anos. 
Cidade-capital de MOÇAMBIQUE, para mim um «país mágico».


(fotos net, colagem minha)


01 junho, 2022

Pétala nº 3532

"Do mesmo modo que no início da primavera todas as folhas têm a mesma cor e quase a mesma forma, nós também, na nossa tenra infância, somos todos semelhantes e, portanto, perfeitamente harmonizados."

ARTHUR SCHOPENHAUER, filósofo alemão (1788-1860) 

(foto net)


05 fevereiro, 2022

Pétala nº 3445

“No tempo em que eu ainda trepava às árvores – há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar – não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar – ou pelo menos quase...” 

PATRICK SÜSKIND, escritor alemão (1949-), in “A história do senhor Sommer”, Sextante Editora, 2007


25 novembro, 2020

Pétala nº 3104

“Todos nós, mas todos, de forma mais declarada ou clandestina, no modo mais dolente, sobressaltado ou jubiloso, vivemos ainda em torno à mina que foi a nossa infância.” 
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal, teólogo e poeta português (1965-), in crónica "AMARCORD", publicada na revista "E", do jornal Expresso de 21 Março 2020

14 julho, 2020

Pétala nº 2971

“Somos até ao fim uma infância que matura, que se estende, que se complexifica, que se despoja, que se configura no essencial.” 
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, teólogo e poeta português (1965-)

19 outubro, 2019

Pétala nº 2702

“A infância nem sempre é um jardim florido.” 
PHILIPPE CLAUDEL, escritor francês (1962), in “O arquipélago do cão”, Sextante (Porto Editora), 2019

09 julho, 2019

Pétala nº 2600

“Todas as fotografias de infância têm um halo de perda.” 
BRUNO VIEIRA AMARAL, escritor português (1978-), in “Manobras de guerrilha”, Ed. Quetzal, 2018

08 julho, 2018

Pétala nº 2234

“A minha infância está cheia de bons sabores. Cheira bem a minha infância!" 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, escritor angolano (1960), in “O vendedor de passados”, Ed. Quetzal, 2017

18 março, 2018

Pétala nº 2122

“A infância não é um tempo, não é idade, uma colecção de memórias. A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar.”
MIA COUTO, escritor moçambicano (1955-)

06 novembro, 2017

Pétala nº 1991

“As pessoas da nossa infância são lugares secretos.” 

Bruno Vieira Amaral, escritor português (1978-), in “Hoje estarás comigo no paraíso”, Ed. Quetzal, 2017

22 outubro, 2017

Pétala nº 1976

“A infância fica na nossa mente dos 8 aos 80, só temos que a alimentar.” 

Cristina Branco, fadista portuguesa (1972-)

11 dezembro, 2016

Pétala nº 1660

“Escrevo e choro a minha infância perdida.” 

Fernando Pessoa, poeta português (1888-1935), in “Livro do desassossego”, Ed. Tinta da China, 2014

09 agosto, 2014

Pétala nº 805

“A morte dos nossos pais é o lugar onde a nossa infância termina.” 

 Carlos Amaral Dias, psiquiatra português (1946-)