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02 outubro, 2023

Pétala nº 3787

“… cada hora a sua agonia”
(Itamar Vieira Júnior, in Torto arado")


“Meu pai não tinha letra, nem matemática, mas conhecia as fases da lua. Sabia que na lua cheia se planta quase tudo, que mandioca, banana e frutas gostam de plantio na lua nova, que na lua minguante não se planta nada…
Meu pai, quando encontrava um problema na roça, se deitava sobre a terra com o ouvido voltado para seu interior, para decidir o que usar, o que fazer, onde avançar, onde recuar. Como um médico à procura do coração.”


“Meu pai havia nascido quase trinta anos após declararem os negros escravos livres, mas ainda cativo dos descendentes dos senhores de seus avós. (...) Ele nasceu no meio de um charco, porque não haviam permitido que sua mãe deixasse de trabalhar naquele dia.”

ITAMAR VIEIRA JUNIOR, geógrafo, doutor em Estudos Étnicos e Africanos, escritor brasileiro (1979-), in “Torto arado” (Prémio LeYa, 2018), Ed. LeYa, 2019

(Fotos Teresa Dias - Pico Ana Ferreira, colunas prismáticas de formação vulcânica, PORTUGAL/Porto Santo, 2023)


Miminho outonal do amigo Luís Rodrigues. Gostei muito. Obrigada!
Grande abraço, um ameno e feliz Outono.


25 setembro, 2023

Pétala nº 3786

"Os dias se passaram como o vento."
(Itamar Vieira Júnior,  in “Torto arado”)


“As pessoas têm todos os dias de se levantar pela manhã e dizerem a si mesmas que o mundo tem de avançar, não podem ficar paradas. O que fica parado morre. Temos de ter atenção não só ao que aconteceu ontem, mas ao que está a acontecer hoje. Porque uma pessoa que fica só com os antepassados e com o que é antigo, morre.”
PEDRO GIRÃO, leiloeiro português, presidente do Conselho Consultivo Internacional da leiloeira Christie’s, em entrevista a Christiana Martins, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 14 Abril 2022

“Os dias enfiam-se uns nos outros e uns nos outros e uns nos outros.”
ERNEST HEMINGWAY, escritor norte-americano (1899-1961), in “Verdade ao amanhecer (True at first light, publicação póstuma 1999)”, Publicações Dom Quixote, 2001
Prémio Nobel de Literatura, 1954


Melancolia de um fim de Setembro

Ó manhã, manhã,
manhã de Setembro,
invade-me os olhos,
inunda-me a boca,
entra pelos poros
do corpo, da alma,
até ser em ti,
sem peso e memória,
um acorde só
do vento e da água,
uma vibração
sem sombra nem mágoa.

Poema de EUGÉNIO DE ANDRADE, poeta português (1923-2005)





(fotos Pixabay)