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28 abril, 2025

Pétala nº 3855

"Bastam-me apenas as palavras
para viver o amanhã"
(Albino Santos, versos do poema "Bastam-me as palavras")


A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS (excerto)

"O tempo é infinito... mas tão efémero. De repente, ele se esvai no interior de nós e oculta o sol, que se extingue nas sombras impenetráveis do destino. Fecham-se as janelas da alma, expulsam-se os sorrisos, até que o murmúrio da noite se sobreponha a tudo cobrindo-me com o seu lençol de silêncio. Estou só, numa árida deambulação sem caminho, procurando as palavras quase sem ardor nem gosto. Na complexidade das coisas banais, talvez uma luz imprevista venha reacender a paisagem!"


O SILÊNCIO É NEGRO

Apetece-me o silêncio!
O silêncio nocturno das cidades,
entre a penumbra e a alba
onde crepitam todas as paixões.
Nos meus versos insaciados
escondem-se lúgubres noites
entre sonhos imperfeitos e nostálgicos
amanheceres.

Eu sei que o silêncio é negro
como é negro sentir
que o olhar que queremos não nos afaga
e a boca que desejamos não nos procura.
Mas a minha boca ainda respira em versos
e sente o sabor do beijo
com que as pétalas amam o coração das rosas!

ALBINO SANTOShttps://as-polyedro.blogspot.com/, in "A COMPLEXIDADE DAS COISAS BANAIS", Seda Publicações, 2025


Obrigada, meu amigo!


(Foto net. Agradeço a quem me enviou.)

15 julho, 2024

Pétala nº 3826

"as palavras são armas, como metralhadoras"
(Sándor Márai, in  “Libertação”)


"(Não são as palavras que distorcem o mundo, é o medo e a vontade. As palavras são corpos transparentes, à espera de uma cor. O medo é a lembrança de uma dor do passado. A vontade é a crença num sonho do futuro. Não são as palavras que distorcem o mundo, é a maneira como entendemos o tempo, somos nós.)”
JOSÉ LUÍS PEIXOTO, escritor português (1974-), in “Em teu ventre”, Ed. Quetzal, 2015

“Se tivesse de dizer qual a maior invenção humana, diria: a palavra. É uma ferramenta fundamental na construção da nossa humanidade. É um motor de busca, um telescópio, um radar, um sensor para a grande pergunta que somos. E é a mediação para o encontro fundamental connosco mesmos, com o outro e com o Todo Outro que é Deus.”
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA , cardeal, teólogo e poeta português (1965-) em entrevista Christiana Martins, publicada na revista "E", do jornal Expresso de 22 Abril Dezembro 2023

“… para as coisas mais importantes da vida as palavras são muito poucas. O que é que podemos dizer sobre Deus? Nada. Eu, pelo menos, não consigo. O que é que podemos dizer sobre o amor? Quase nada. Não temos palavras para isso. O que é que podemos dizer acerca da morte, para além do óbvio? Nada. Mas em literatura é possível dizer um pouco mais.
Mesmo que não se use a palavra Deus, pode-se sentir o toque do que podemos chamar Deus. Pode-se descrever uma relação amorosa de maneira verdadeira. A literatura serve para dizer o que não se consegue dizer de outra maneira.”
JON FOSSE, romancista, dramaturgo, poeta norueguês (1959-), em entrevista a José Riço Direitinho, publicada na revista “Ípsilon” do jornal Público de 22 Março 2024.

"A vida é assim, está cheia de palavras que não valem a pena, ou que valeram e já não valem, cada uma que ainda formos dizendo tirará o lugar a outra mais merecedora, que o seria não tanto por si mesma, mas pelas consequências de tê-la dito."
JOSÉ SARAMAGO, escritor português (1922-2010)
Prémio Nobel de Literatura, 1998



Obras de MANUEL CARGALEIRO, ceramista e pintor português (1927-2024)


08 maio, 2023

Pétala nº 3769

“Poderá um eu falar de si mesmo sem que soe heroico, sem que pareça oprimido, defendendo o indefensável, enchendo-se de rancor perante o inexorável?”

“… o valor do silêncio, o perigo das palavras.”

ABDULRAZAK GURNAH, escritor nascido em Zanzibar, em 1948, a viver em Inglaterra desde a década de 1960, in “Junto ao mar”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022 
Prémio Nobel da Literatura, 2021

(CABO VERDE - Ilha da Boa Vista, 2022)

 

16 dezembro, 2022

Pétala nº 3698

Palavras. Palavras. Eu jogo com as palavras, com a esperança de que alguma combinação, mesmo que seja uma combinação por acaso, diga aquilo que eu quero dizer.”

DORIS LESSING (Doris May Tayler), escritora inglesa nascida na Pérsia (1919-2013)
Prémio Nobel de Literatura, 2007


15 dezembro, 2022

Pétala nº 3697

“Quero falar, e as palavras que me ocorrem não me bastam e por isso calo-me.” 

ROBERT WALSER, escritor suíço (1878-1956), in “Histórias de amorArroubos", Ed. Relógio d’Água, 2008


14 dezembro, 2022

Pétala nº 3696

“Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia a dia e até no que não é dito com palavras, mas fica no ar…” 

MANUEL BANDEIRA, poeta, crítico literário e de arte, professor e tradutor brasileiro (1886-1968)

(lenço de seda - foto net)




13 dezembro, 2022

Pétala nº 3695

“… a palavra é um laminador que modela sempre os sentimentos.” 

GUSTAVE FLAUBERT, escritor francês (1821-80), in “Madame Bovary” (1857), Ed. Clube do Autor, 2017


12 dezembro, 2022

Pétala nº 3694

“O tutano dos livros está nas esquinas das palavras. O mais importante dos bons romances amontoa-se nas elipses, no ar que circula entre as personagens, nas frases pequenas.” 

ROSA MONTERO, escritora espanhola (1951-) in “A ridícula ideia de não voltar a ver-te” Porto Editora, 2015


23 outubro, 2022

Pétala nº 3648

O pensamento voa e as palavras vão a pé: eis o drama do escritor.” 

JULIEN GREEN, escritor francês de ascendência norte-americana (1900-98)


13 junho, 2022

Pétala nº 3544

“Não gosto de palavras que escondem a verdade. Não gosto de palavras que ocultam a realidade.”

GEORGE CARLIN, comediante norte-americano (1937-2008)


24 março, 2022

Pétala nº 3492

“As palavras podem fazer sofrer 
Podem magoar, sufocar 
Fazer cair na desgraça 
Podem ser a arma secreta 
Da solução que apoquenta 
A paciência discreta 
Que na verdade se aguenta 
Quando da alma já nada se sente!” 


(Versos do poema “O peso das palavras”, 30 janeiro 2022)


31 janeiro, 2022

Pétala nº 3440

“… nenhuma palavra exprime rigorosamente tudo quanto quer dizer; por exemplo, infelicidade; infelicidade é, só, ser infeliz?; infelicidade não evoca outros sentimentos talvez menos impiedosos? (…) nenhuma palavra diz tudo…” 

BAPTISTA-BASTOS (Armando Baptista-Bastos), jornalista e escritor português (1934-2017), in “Um homem parado no inverno”, Edições «O Jornal», 1991


25 janeiro, 2022

Pétala nº 3434

“O poema é feito de palavras necessárias e insubstituíveis.” 

OCTAVIO PAZ, poeta, tradutor e diplomata mexicano (1914-1998)


19 janeiro, 2022

Pétala nº 3428

“Procuro ser um artesão das palavras. Escrevo e reescrevo continuamente cada parágrafo, dia e noite, como se fosse um escultor compulsivo.” 

AUGUSTO CURY, médico psiquiatra, professor e escritor brasileiro (1958-)


26 outubro, 2021

Pétala nº 3371

“A palavra mais verdadeira, mais exacta, mais cheia de significado é a palavra “nada”. 

JULES RENARD, escritor francês (1864-1910) citado por JULIAN BARNES, escritor inglês (1946-), in “Nada a temer”, Ed. Quetzal, 2011

07 outubro, 2021

Pétala nº 3358

“É a humilhação que nos torna humanos.
HOWARD JACOBSON , escritor inglês (1945-), in “A questão Finkler”, Ed. Porto Editora, 2011 


“… é a palavra que faz de nós humanos.” 
ROSA MONTERO, escritora espanhola (1951-), in “A louca da casa”, Ed. Asa, 2004

25 maio, 2021

Pétala nº 3282

“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade.” 
FLORBELA ESPANCA, poetisa portuguesa (1894-1930)

“As palavras são a nossa condenação. Com palavras se ama, com palavras se odeia. E, suprema irrisão, ama-se e odeia-se com as mesmas palavras.” 
EUGÉNIO DE ANDRADE, poeta português (1923-2005)
 

21 maio, 2021

Pétala nº 3278


perdi as palavras dentro de mim 
esconderam-se dentro dos mil pensamentos 
que guardo na estante do meu cérebro
vejo-as a espreitar
pelas folhas gastas dum livro de poesia
tento apanhá-las
mas elas caem e ficam no meu peito
muito quietinhas por detrás do coração
agora sim apanhei-vos
penso eu
pois aí as palavras ficam cativas
para sempre
mas estas são diferentes
desceram até ao ventre
não têm salvação 



(pintura de Françoise Collandre, net)

18 março, 2021

Pétala nº 3214

“palavras são as recordações que trago sempre comigo” 
ANA MARGARIDA DE CARVALHO, escritora portuguesa (1969-), in “O gesto que fazemos para proteger a cabeça” , Ed. Leya, 2019

25 fevereiro, 2021

Pétala nº 3195

"As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um."
ALMADA NEGREIROS, artista plástico, poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo português (1893-1970)