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31 março, 2023

Pétala nº 3756

“Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor. 
Felizes os felizes.” 
(Jorge Luis Borges)


"Um casal é a coisa mais impenetrável do mundo. Não conseguimos compreender um casal, nem mesmo quando fazemos parte dele."

Dois seres vivem lado a lado e a imaginação de cada um diariamente os afasta de forma cada vez mais definitiva.”


“Despedimo-nos das pessoas com uma graçola pateta, rimo-nos no patamar da escada, no elevador o gelo instala-se de imediato. 
Devia um dia estudar-se este silêncio noturno, típico das viagens de carro nos regressos a casa, após se ter exibido a felicidade à frente do público, um misto de arregimentação e de mentira autoinfligida.”

Frases de YASMINA REZA, escritora francesa (1959-), in “Felizes os felizes”, Ed. Quetzal, 2014


(Publiquei esta pétala no "Rol de Leituras", no dia 22 de Janeiro de 2019. 
Partilho-a hoje no "Pétalas de Sabedoria", juntamente com algumas palavra sábias deixadas em simpáticos comentários. Tudo continua lá, mas pode ser lido AQUI.

"Após se exibir como pavão aos estranhos o ser humano se depara com o gelo da indiferença de si mesmo pelo fato de não se amar o suficiente... pelo gelo dos que mais ama... pelo gelo dos que lhe cercam de um modo geral..."
R: Deitadas fora as máscaras volta intacta a mentira vivida a dois.

"Exibe-se uma felicidade aparente. Depois instala-se um silêncio demasiado ruidoso que gela o coração. E pensa-se no amor como se de uma fraude se tratasse e um frio imenso nos rodeasse as mãos cheias de mendicidade."
R: Actores no palco da vida...

"E às vezes o silêncio é tão ruidoso que quase nos ensurdece."
R: Há silêncios que doem e dilaceram corações.

"... depois de momentos de grande folguedo há essa reacção depois com os que nos são mais chegados. Será dos espaços confinados, ou porque com esses já não é preciso fingir."
R: ... a felicidade fingida exibida em público a desarmonia «gelada» em privado.

"... nem sempre significa que a vida a dois vai mal, mas não deixa de ser triste esse «gelo»... perdeu-se o hábito de perguntar um ao outro como foi o dia, já não achamos necessário dizer que o amamos e não temos coragem de lhe dizer que precisamos de atenção, que sentimos falta de afectos."

"... o ser humano é um turbilhão de emoções, um dia é pura felicidade, no outro se esfacela de amargura.  Quanto aos casais, torna-se o próprio inferno, pela intimidade que compartilham."
R: Silêncio doloroso, felicidade falsa, amarga caminhada a dois.





01 abril, 2022

Pétala nº 3500

“Uma mentira, fina como um cabelo, perturba para sempre a ordem do mundo.” 

JOSÉ LUÍS PEIXOTO, escritor português (1974-), in “Em teu ventre”, Ed. Quetzal, 2015


04 fevereiro, 2022

Pétala nº 3444

“Coloquei minhas mentiras no diário para viver as verdades em segredo.” 

FABRÍCIO CARPINEJAR, poeta e jornalista brasileiro (1972-)


20 outubro, 2021

Pétala nº 3367

Nunca temperei a verdade com o condimento da mentira, para a tornar mais digerível.” 

MARGUERITE YOURCENAR (pseudónimo de Marguerite Cleenewerck de Crayencour), escritora francesa (1903-87)

08 outubro, 2021

Pétala nº 3359

TERESA, se algum sujeito bancar 
o sentimental em cima de você 
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde 
Se ele chorar 
Se ele se ajoelhar 
Se ele se rasgar todo 
Não acredita não Teresa 
É lágrima de cinema 
É tapeação 
Mentira 
CAI FORA.” 

MANUEL BANDEIRA, poeta, crítico literário e de arte, professor e tradutor brasileiro (1886-1968)


04 outubro, 2021

Pétala nº 3355

“Mentiras, mentiras, os adultos proíbem-nas, no entanto dizem tantas.
 
ELENA FERRANTE, pseudónimo de uma escritora italiana cuja identidade é mantida secreta (1943-), in “A vida mentirosa dos adultos”, Ed. Relógio d’Água, 2020

25 maio, 2021

Pétala nº 3282

“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade.” 
FLORBELA ESPANCA, poetisa portuguesa (1894-1930)

“As palavras são a nossa condenação. Com palavras se ama, com palavras se odeia. E, suprema irrisão, ama-se e odeia-se com as mesmas palavras.” 
EUGÉNIO DE ANDRADE, poeta português (1923-2005)
 

01 abril, 2021

Pétala nº 3228


"Um minimercado. Fila para a caixa. Diálogo entre o jovem que segura uma grande embalagem de comida para cão, e a mulher à sua frente na fila. 
MULHER: Tem um cão, é? 
JOVEM: Se eu tenho um cão. 
MULHER: (Sorri) Sim. 
JOVEM: Não, minha senhora. 
MULHER: (Ligeiramente desconcertada) Ah. 
JOVEM: Não tenho nenhum cão. 
MULHER: Certo. 
JOVEM: Estes biscoitos são para mim. 
MULHER: Para si?
JOVEM: Sim, minha senhora. É uma dieta. 
MULHER: Uma dieta? 
JOVEM: Sim, minha senhora. Bom. Provavelmente, eu nem sequer lhe devia contar isto. Já experimentei algumas vezes, e deixe-me dizer-lhe que resulta bastante bem. Uma pessoa não chega propriamente a comer. Dá-me a fome? Meto uns quantos biscoitos pela goela abaixo. (...) Acordo de noite? Não desço à cozinha para esvaziar o frigorífico. Tenho um pratinho destes biscoitos na mesa de cabeceira, e é só estender o braço e engolir uns poucos. É questão de ter sempre um copo cheio de água ali à mão. Da última vez, perdi doze quilos num mês. Recomendo este método a qualquer pessoa. (...)  É claro que, assim como outra coisa qualquer, é preciso saber usar a cabeça. Uma vez, acordei no hospital. (…) 
Ao fim de alguns dias uma pessoa já nem quer outra coisa. Recomendo este método a toda a gente, sem dúvida. (...)
MULHER: Mas você disse que acordou no hospital. O que é que lhe aconteceu? Teve uma reação alérgica ou quê? 
JOVEM: Ah, não, minha senhora. Não foi nada desse género. Estava agachado no meio da rua, a lamber os tomates, e veio um carro e atropelou-me. Tenha cuidado consigo. Ouviu?"

CORMAC McCKARTHY, escritor norte-americano (1933-), in "O Conselheiro", Ed. Relógio d'Água, 2013


(Hoje, Dia das MENTIRAS!)

(foto net)

09 fevereiro, 2021

Pétala nº 3179

“Temos de estar conscientes de que somos maus a detetar a mentira, mas também devemos compreender os benefícios que advêm da nossa natureza essencialmente confiante.” 
MALCOLM GLADWELL, jornalista e escritor britânico (1963-)

03 outubro, 2020

Pétala nº 3051

“Para delatar um ser humano não há nada como a arte, é o detetor de mentiras mais barato.” 
MARÍA GAINZA, crítica de arte e escritora argentina (1975-), in “Hotel melancólico”, Ed. D. Quixote, 2019

15 agosto, 2020

Pétala nº 3003

“De todas as mentiras, a arte é ainda a menos falsa.”
GUSTAVE FLAUBERT, escritor francês (1821-80)

26 fevereiro, 2020

Pétala nº 2833

“Mentiroso: viciado em retórica.” 
AMBROSE BIERCE, escritor e jornalista norte-americano (1842-1914)

28 novembro, 2018

Pétala nº 2377

“Assim como o mentiroso está condenado a que não acreditem nele quando diz a verdade, é privilégio de quem goza de boa reputação que nele acreditem mesmo quando mente.” 
MIGUEL DE CERVANTES, escritor espanhol (1547-1616)

08 novembro, 2018

Pétala nº 2357

“O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.” 
JOSÉ SARAMAGO, escritor português (1922-2010) 
Prémio Nobel de Literatura, 1998

06 setembro, 2018

Pétala nº 2294

“Verdade é luxo de rico. A nós, menores de existência, resta-nos a mentira.” 
MIA COUTO, escritor moçambicano (1955-), in “O fio das missangas”, Ed. Caminho, 2004

16 julho, 2018

Pétala nº 2242

“Abomino a mentira porque é uma inexactidão.” 
JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, escritor angolano (1960), in “O vendedor de passados”, Ed. Quetzal, 2017

25 outubro, 2017

Pétala nº 1979

“Corrigir a verdade. É isso que todos fazemos quando se nos torna impossível corrigir a mentira.”

Enrique de Hériz, escritor espanhol (1964-), in “Mentira”, Ed. Dom Quixote, 2006

15 outubro, 2017

Pétala nº 1969

“O silêncio é às vezes uma das formas mais sofisticadas da mentira.” 

Enrique de Hériz, escritor espanhol (1964-), in “Mentira”, Ed. Dom Quixote, 2006

27 agosto, 2017

Pétala nº 1920

“Tenho pela mentira um horror quase físico.” 

Florbela Espanca, poetisa portuguesa (1894-1930), in “Diário do último ano”, Livraria Bertrand, 1981

14 abril, 2017

Pétala nº 1785

“Aquele que diz uma mentira não calcula a pesada carga que põe em cima de si, pois tem de inventar infinidade delas para sustentar a primeira.” 

Alexandre Pope, poeta inglês (1688-1744)